• Capa_abril_Site-100.jpg

Foi com um discurso virado para o futuro e para as novas gerações que o PSD realizou a sua intervenção na sessão solene do Dia da Região e das Comunidades Madeirenses, na Assembleia Legislativa da Madeira, pela voz do deputado mais novo da bancada parlamentar social-democrata.

Bruno Melim começou por referir que a sua geração, nascida nos anos 90´, tem vivido desafios à escala global que invejam qualquer um.

“Nos tempos modernos, nenhuma geração viveu entre os 23 e os 32 anos, uma crise das dívidas soberanas que atirou para a bancarrota e pré-bancarrota vários países da Europa e do Mundo, uma pandemia que paralisou fortemente a atividade económica por mais de dois anos consecutivos e uma guerra no território europeu que fez disparar a inflação para valores como a nossa geração nunca conhecera.

Ao mesmo tempo que tudo isto acontece, salientou é também “geração mais preparada de que há registo” e aquela “que, sendo mais global, sentiu ao longo do seu crescimento, as mudanças estruturais de um mundo eminentemente tecnológico em que a fronteira entre o conhecimento e a ignorância está à distância de apenas uns ‘clicks’”.

Mas sabe também, embora do ponto de vista teórico, aquilo que era a Madeira pré Autonomia e o quanto a mesma foi determinante “nas nossas vidas”.

Por vezes, referiu, “parece que os mais jovens conhecem melhor aquela que foi a realidade dos nossos antepassados do que muitos dos seus contemporâneos que por aí dizem representar os madeirenses e as novas gerações não têm receio sobre as suas origens, o seu passado ou a sua história. Temos um orgulho incomensurável de onde partimos, mas temos tanta ou mais ambição para a Madeira que pretendemos construir”.

Para Bruno Melim, “os méritos reconhecidos à Autonomia são inegáveis”. No entanto, reconhece que os jovens são os “primeiros a reivindicar que para a Autonomia produzir os efeitos que produziu até aqui tem de ser reforçada”, pois “está ultrapassada e pouco competitiva.

“Para corresponder as ambições dos mais jovens, há um esforço conjunto, que deve ser empreendido para que uma Região Autónoma como a Madeira tenha oportunidades únicas no quadro das transformações essenciais que o mundo, de forma célere, tem vivido”, disse, realçando a necessidade de fazer “deste território uma sociedade cosmopolita, aberta e moderna”. Para tal, sustentou, é preciso que a Madeira dê respostas a quatro desafios, sendo eles a cidadania, digitalização da sociedade, o desenvolvimento sustentável e à funcionalidade do Estado.

Ao nível da cidadania, o deputado refere que a Madeira deve pugnar-se por constituir-se como uma sociedade equitativa, dando uma resposta forte aqueles que precisam do Estado, procurando agilizar aqueles que, mais capazes ou menos dependentes, possam ser criadores de valor acrescentado. Valor esse que pode ser económico, artístico, desportivo ou social.

Uma terra de liberdades, onde a liberdade individual e de autodeterminação sejam concretizações diárias, com base no respeito pela reserva da vida privada e em que cada um pode constituir o seu projeto de vida como bem entender, não sendo objeto de discriminações.

“O Estado deve promover a coesão social e a realização do indivíduo, reduzindo as diferenças, pugnando-se por uma sociedade inclusiva onde todos possam ser felizes independentemente das suas escolhas.”

O Segundo desafio prende-se, de acordo com Bruno Melim, com a necessidade de prossecução da digitalização da sociedade madeirense, criando respostas que enquadrem as novas gerações numa geração de Economia do Mundo. “Mais do que preparar os jovens para conteúdos estanques, existe hoje a necessidade de preparar os mais jovens para que sejam capazes de, aprendendo as ferramentas, construírem o seu futuro correspondendo aos desafios da globalização. Para a coesão social, é igualmente fundamental que a transição tecnológica requalifique a população para as competências digitais seja na qualidade de utilizador, seja na qualidade de ativo requalificado do ponto de vista profissional”.

O terceiro desafio, afirmou, é o de continuar a desenvolver uma Região cujo desenvolvimento sustentável continue a ser uma bandeira e uma luta de afirmação da autonomia. Desenvolvimento sustentável esse, esclareceu, que não se esgota na necessidade de aumentar a eficiência da transição energética, através de um maior recurso a energias limpas e assumindo a vontade de liderar esta transição na medida do contributo que nos compete dar, sem criar assimetrias que dificultem ou agravem as condições de vida dos madeirenses pela sua dimensão ultraperiférica. “Desenvolver uma política sustentável é manter uma relação estreita entre a população e o seu meio ambiente, preservando-o, mas sem alimentar fanatismos injustificados que só prejudicam e reduzam sobremaneira, a qualidade de vida das nossas populações.

Defender um desenvolvimento sustentável é garantir que nas próximas gerações a República é, finalmente, capaz de concretizar a reivindicação de uma mobilidade sustentável em que o madeirense seja definitivamente tratado como um português, mitigando assim um País que continua adiado na concretização do princípio da continuidade territorial que alguns não conseguem compreender que não existe.”

Em termos de sustentabilidade defendeu também a concretização de respostas efetivas, adequadas à nossa realidade, a crises como a demográfica ou à crise da habitação a custos acessíveis.

Concretamente sobre a habitação referiu que para uma geração com elevadas qualificações sair de casa antes dos 30 anos não pode ser uma miragem, ou uma realidade acessível apenas a alguns. “A Autonomia está a fazer diferente e a desenhar respostas para a classe média e para os mais jovens como as recentes alterações anunciadas na Estratégia Regional de Habitação. E o nosso país o que está a fazer? Em que é que nos está a ajudar? “

O deputado salientou que “por muito que existam respostas pontuais, o problema é estrutural e o modelo a que a República nos tem conduzido nas últimas duas décadas, não resolverá o problema em que estamos mergulhados. Exatamente, por isso, nunca a Autonomia fez tanto sentido”.

Sobre o ultimo desafio, o da funcionalidade do Estado, sublinhou que os jovens esperam para a sua vida, um sistema político e um país em que não seja mais difícil exercer os seus deveres e direitos enquanto cidadãos, seja, para assinarem um contrato de trabalho, com empresas ou clientes estrangeiros, seja para comprarem casa ou para abrirem um simples conta no banco.

“No dia em que se celebra a Madeira, os mais jovens dizem presente à construção de uma terra mais livre, próspera, afastando-se de todos quantos querem ver na Madeira e nos Madeirenses uma terra tutelável e submetida a quem, de longe, tenta definir a nossa vida. Lembramos, com saudade, todos quantos contribuíram para aquilo que somos hoje. Homens, Mulheres, mães, pais e avós. Que descobriram o Mundo e deram novos mundos à Madeira através do seu exemplo de emigração seja para a América do Sul, para Africa ou para Inglaterra.

Que todos esses saibam que o seu legado jamais será esquecido, porque a força de um povo estoico e valente não acaba, nem se apaga. Perduram pela força do seu exemplo, tal como o esforço contemporâneo dos jovens que espalhados pelo mundo se assumem como os verdadeiros embaixadores sobre o SER Madeirense e nos orgulham dos feitos que frequentemente alcançam.”