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O deputado Guido Gonçalves deixou uma palavra de solidariedade para com a população da Ponta Delgada e da Boaventura atingidas pelo temporal de 25 de dezembro.

Numa intervenção no período antes da ordem do dia, da Assembleia, o deputado salientou que “quando pensávamos que em 2020 já nos tinha acontecido de tudo, eis que a natureza nos volta a surpreender a todos, provocando uma verdadeira catástrofe natural na zona norte da ilha, em particular nas freguesias da Ponta Delgada e Boaventura”.

“No dia 24 de Dezembro à noite, véspera de Natal, já seria à partida uma noite de Natal diferente por consequência da pandemia que nos obrigada a ficar em casa, a abdicar dos convívios natalícios muito tradicionais da nossa ilha, por isso, naquela noite de 24 de dezembro quando começou a chover com muita intensidade, a primeira reação foi pensar que menos mal que é nesta noite, pois para aqueles que teimosamente tendem a não respeitar as restrições impostas pelas autoridades de saúde no combate à pandemia, aquela chuva intensa poderia ser mesmo a melhor forma de ficarmos todos em casa, sem irmos às missas do Galo e sem programarmos os habituais convívios familiares no dia de natal, longe de imaginar que aquele temporal, aquela chuva intensa iria prolongar-se por mais 30 horas consecutivas”.

Guido Gonçalves referiu que “naquela noite de 24 de dezembro choveu copiosamente com uma intensidade incrível, que nem os mais idosos se lembram de ter assistido a tal fenómeno na sua longa e experiente vivência”.

Com o passar das horas o cenário foi se agravando: “ Não tardou para que começassem a cair as enxurradas um pouco por todo o lado. Pelas encostas abaixo, terras arrastadas, pedras de grande porte a rebolar nas vias de circulação, troncos de árvores tombados na via pública, estradas e caminhos completamente obstruídos, num cenário de guerra, que fez ativar de imediato a proteção civil municipal”.

O deputado lembrou que a prioridade como sempre neste tipo situações foi salvar pessoas, em primeiro lugar, mas perante aquele cenário de destruição das vias de circulação, foi difícil aceder a alguns sítios, perante o corte das linhas de comunicação, perante o corte de energia e ainda com a chuva a continuar, insistentemente, a cair com grande intensidade foi muito complicado acudir quem precisava de ajuda, perante tanta adversidade.

Felizmente, sublinhou, “a Madeira hoje, graças ao constante investimento nos meios de proteção civil, bem como na formação de recursos humanos habilitados para este tipo de intervenção, e também por via da experiência acumulada, tem capacidade de resposta para estas intempéries que provocam elevados prejuízos”.

Guido Gonçalves referiu, que ,“num dia tão simbólico como é o dia de Natal, em que tudo ou quase tudo está parado, em que as empresas de construção civil estão encerradas, com o seu pessoal de férias, no conforto do seu lar com as suas famílias, foi fantástica a resposta dada por todas estas equipas, assim como por todos os meios de socorro da proteção civil da Região que rapidamente responderam aos apelos das autoridades para se deslocarem às freguesias da Ponta Delgada e da Boaventura”.

“Não há palavras para descrever aquilo que senti ao princípio da noite do dia 25 de dezembro, quando vi com os meus próprios olhos, chegarem dezenas e dezenas de máquinas, camiões, manobradores, bombeiros, PSP, todos os agentes de proteção civil envolvidos e empenhados em ajudar as populações da Ponta Delgada e da Boaventura, todos muito bem articulados com as autoridades locais e regionais, repito num dia tão simbólico como seria o dia de Natal”, disse, acrescentando que chegar à Ponta Delgada e à Boaventura e ver o rasto de destruição que encontrou foi muito doloroso.

“Nestas situações custa sempre ver quem perde os seus bens, pelos quais lutaram uma vida inteira para os conseguir, mas custa muito mais quando é ali perto de nós, custa muito mais quando as vítimas dessas perdas são os nossos amigos e conhecidos. Não me esquecerei das imagens desse dia nem dos relatos que ouvi daquelas pessoas que passaram por momentos de verdadeira aflição.”

O deputado destacou “a grande onda de solidariedade se ergueu um pouco por toda a ilha, mas com particular incidência em todo o concelho de São Vicente”, num verdadeiro espírito de entreajuda ao qual se juntaram as casas do povo da Ponta Delgada e da Boaventura que formaram equipas para confecionar, nas suas próprias instalações, as refeições para todos os voluntários e para todos os elementos envolvidos nas limpezas das freguesias.

Além do “papel interventivo e decisivo, desde a primeira hora, das entidades locais, das Juntas de freguesia de Ponta Delgada e da Boaventura, bem como da Câmara municipal de São Vicente que demonstraram o verdadeiro espírito dos órgãos de proximidade, acudindo em primeira instância os seus munícipes e posteriormente alertando as entidades regionais para a necessidade de reforçar apoios, ao qual foi atendido de imediato, inclusive com a presença do senhor secretário regional dos equipamento e infraestruturas no próprio dia de Natal, bem como, a presença do senhor presidente do Governo no dia seguinte ao temporal que em articulação com as entidades locais coordenaram todas as operações de limpeza das vias de circulação no sentido de repor alguma normalidade o mais breve possível”.

Segundo o deputado, também no que diz respeito aos apoios às famílias que perderam a sua habitação ou viram as suas casas com prejuízos avultados, assim como aquelas que perderam grande parte do recheio das suas habitações, a resposta foi prontamente dada pelo Instituto de Habitação da Madeira e pela Segurança Social que desde cedo colocaram os seus técnicos no terreno a fazer o levantamento das pessoas que foram afetadas pelo temporal, em coordenação com a Câmara Municipal de São Vicente.