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O deputado Carlos Rodrigues afirmou, hoje, que a análise feita pelo líder do PS, na declaração política realizada na Assembleia Legislativa da Madeira, não passou de um “conjunto de disparates e absurdos”.

“O Partido Socialista sentiu a obrigação de dizer coisas sobre o Orçamento e, como nunca deixou de ser oposição, essa necessidade de dizer coisas só poderia ser de dizer coisas negativas sobre este documento”, disse, referindo ser essa a razão pela qual os restantes deputados estiveram mais de meia-hora “a ouvir coisas”, porque “não passou disso”.

Com a agravante, referir, de já se saber à partida do que vai falar: “Esta estratégia de enviar sinopses dos discursos que se vai fazer para a comunicação social, no dia imediatamente anterior, tem o condão de tornar as intervenções do líder do PS previsíveis.”

Numa intervenção antes do período da ordem do dia, Carlos Rodrigues salientou que “qualquer análise intempestiva, descuidada e feita em cima do joelho, resulta em conclusões erradas, incorretas, irresponsáveis e deturpadas”.

E “isto pode acontecer por falta de capacidade e atenção, por má-fé e politiquice barata ou pelas duas situações”, embora, no caso em apreço, considere que sejam ambas: “Falta de capacidade e má-fé”.

O deputado começa por desmontar a afirmação do presidente do PS de que o Orçamento não traz apoios extraordinários e muito menos a fundo perdido.

“Nada mais falso e incorreto”, realçou, reforçando que “basta ver a dotação orçamental da Secretaria da Economia que, só no que diz respeito a Investimentos do Plano, tem previstos 123 Milhões de Euros devidamente repartidos em diversas linhas e incentivos”.

Além das linhas criadas na Região que dão acesso a fundo perdido, sendo que “em mais nenhuma região do país isso acontece”.

No que se refere à suposta ausência de medidas de apoio ao Turismo, Carlos Rodrigues afirma que aqui “entra a má-fé em jogo”.

“Para além dos 22 Milhões de euros previstos para a promoção e eventos, esquecidos, habilmente pelos senhores, falam de medidas anunciadas e referenciadas no PDES e no Plano de Recuperação.
Pois bem, a vossa má-fé cega-vos mas não queiram cegar aqueles que vos ouvem.
As senhoras e os senhores deputados socialistas sabem, perfeitamente, que o PDES será enquadrado e serve de base para a negociação do próximo quadro comunitário de apoio, cujo envelope final ainda não está disponível.”

Em relação ao Plano de Recuperação, adiantou, pouco ainda se sabe sobre como procederá o Governo da República. “Diz-nos a experiência que serão mais as dificuldades que as facilidades, por isso, manda a prudência que aguardemos pela habitual eficácia e rapidez da República”.

No que toca às medidas fiscais, Carlos Rodrigues considera verdadeiramente espantoso e até lunático que se dia que terão pouco impacto no rendimento das famílias e no tecido empresarial e lembra que, “em sede de IRC, a partir de 2021, a Madeira apresenta as taxas mais baixas do país, para todas as empresas”.
“Esgota completamente a capacidade de alteração que a lei permite, 30%, e o presidente do PS diz que terá muito pouco impacto. Estas palavras encerram um desnorte completo e um total alheamento da realidade.”

Em relação ao IRS, o deputado sublinha que os dois primeiros escalões serão taxados o mínimo possível, beneficiando as famílias de menores recursos. Apenas o escalão mais alto, ou seja, referente àqueles com maiores rendimentos, mantém-se igual.

Além disso, “o PS, manhosamente, esquece-se de referir que o IRS é progressivo, o que significa que todas as famílias verão a sua fatura fiscal baixar”.

Um facto que é “omitido de propósito pelo deputado Paulo Cafofo” porque “politicamente não lhe interessa”.

Outra questão abordada pelo deputado foi a do novo hospital. Para Carlos Rodrigues, o PS sempre teve dificuldades em apoiar a construção desta infraestrutura.

“Desde a não inscrição no Orçamento de Estado, passando pelo chumbo político deste investimento como Projeto de Interesse Comum, as diversas resoluções acerca do valor da comparticipação que foram 3 vezes corrigidas em menos de dois meses. Sempre com dificuldades, sempre com problemas, sempre com dúvidas, sempre com manigâncias, sempre com esquemas para se furtar ao apoio desta obra. Uma vergonha absoluta.”

O problema, apontou, é que este processo, a cada dia que passa, torna-se mais tenebroso, tendo o líder do PSD/M se esquecido de referir a pouca vergonha que estava montada.

“Então vejamos, o Governo da República, do alto da sua esperteza saloia, aprovou uma resolução que, basicamente, subtraía 70 Milhões de euros à sua contribuição para a construção do Novo Hospital da Madeira. Assim, do nada, poupava 70 Milhões de Euros.

Graças ao PCP, essa situação foi agora corrigida já que este partido apresentou uma proposta de alteração que eliminava esse roubo de sacristia protagonizado pelo Partido Socialista.

O que ainda é mais caricato é que o próprio Partido Socialista confessou e assumiu esta infâmia ao votar a favor da proposta do PCP.

Veja-se a lata destas pessoas, a falta de vergonha. Pela calada tentam roubar a Madeira, quando são apanhados são os primeiros a se chegar à frente. “

Contudo, da parte do PSD/M nenhuma denúncia. “E será sempre zero porque esta liderança socialista tem sido e será sempre cúmplice das jogadas malandras do governo da república. Têm estado e estarão sempre do lado do bandido, do lado de Lisboa, contra a Madeira.”

Carlos Rodrigues apontou ainda as contradições de quem diz mal só por dizer, ao afirmar, por exemplo, que não acredita que haverá mais habitação social porque não existirão novas construções, para, no parágrafo seguinte, dizer que 20% deste orçamento é betão.

“Mas, olhe senhor presidente do PS, habitação social constrói-se com betão, o Novo Hospital constrói-se com betão, os lares de idosos constroem-se com betão, os centros de saúde renovam-se com betão, a proteção física das populações faz-se, também, com betão”, afirmou.

Uma “tirada irrefletida e leviana” que, para Carlos Rodrigues pode levar a duas leituras. A primeira é que Paulo Cafôfo “não sabe do que fala”. A segunda é que “ficámos a saber que com o PS, a Via expresso não seria concluída, a ligação à Ponta do Pargo ficaria como está, as obras de proteção das ribeiras ficariam inacabadas, não existiriam mais lares de idosos, o Novo Hospital não seria uma realidade, as escolas e centros de saúde apodreceriam, apenas porque o líder do PS apeteceu-lhe dizer que é contra o betão e defende um novo paradigma”.

Por isso, sustentou o deputado, “criticar apenas porque sim, sem qualquer matéria, sem qualquer sustentação fica muito aquém daquilo que se espera do maior partido da oposição”.