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O deputado Carlos Rodrigues denunciou o facto de a Região estar a combater a pandemia de COVID-19 como “se de outro país se tratasse”.

Na intervenção semanal, que coube ao PSD, na Assembleia Legislativa da Madeira, o deputado referiu que, “seguindo a linha de atuação nacional em relação à União Europeia, desde o início, o Governo Regional tentou estabelecer contactos com Lisboa a solicitar apoio e solidariedade”. Contudo, “nem uma resposta foi obtida” e, “passados seis meses, continuamos à espera, serenamente à espera”.

Até agora, reforçou, “nem fisga, nem bazuca.” Isto apesar de sabermos “que outras regiões têm sido alvo de solidariedade direta e discriminada” e de que noutros países “tem havido uma atenção particular para com as autonomias”.

Carlos Rodrigues sublinhou que as autonomias, “enquanto regiões dependentes do setor turístico, têm sido olhadas de forma particular”, sendo a própria União Europeia a alertar os Estados para discriminarem positivamente essas regiões.

Infelizmente, adiantou o deputado, “em relação à Madeira temos, do governo nacional, silêncio, desatenção e indiferença”.

Ainda assim, referiu, “o governo socialista deu, a contragosto, uma autorização de empréstimo, mas fê-lo tão de má vontade que se recusou a avalizar esse financiamento o que faz com que paguemos muito mais caro esse dinheiro”.

“Não há qualquer explicação para este facto, nada justifica tamanha falta de solidariedade, é absolutamente incompreensível que a Madeira receba condições piores que outros estados soberanos com quem Portugal colabora”, disse.

Para quem tanto fala do contencioso, Carlos Rodrigues questiona se denunciar esta situação é provocar um contencioso fútil e artificial, se apelar à solidariedade nacional é ser conflituoso ou se repudiar o silêncio mal-educado e a indiferença é gritar contra Lisboa.

 

“Perguntemos aos madeirenses quem está mal neste processo? Quem pede a Portugal como Portugal pediu à União Europeia, e nós não chamamos ninguém de repugnante nem ameaçamos com a sedição? Ou quem, ouvindo os pedidos, conhecendo os pedidos, sabendo dos pedidos, finge-se morto, não responde, não tem agenda para receber os responsáveis regionais?”

 

Carlos Rodrigues afirmou que, “desde o princípio da pandemia, o Estado português, e bem, foi firme e duro em relação ao papel que a União Europeia teria de desempenhar no combate e atenuação das consequências económicas que adviriam desta crise.”.

Aliás, lembrou, “o primeiro-ministro António Costa, e bem, afirmou, já em 28 de março, que «Ou a União Europeia faz o que lhe compete, ou acaba»”.

Além da reação do nosso primeiro às posições do ministro das finanças holandês. “António Costa responde à arrogância do ministro da Casa de Orange, vulgo Holanda, com a seguinte afirmação:«Esse discurso é repugnante no quadro da União Europeia». E o país aplaudiu, apoiou esta postura de forcado que enfrentava o touro com bravura e coragem.”

“Ninguém, nessa altura, disse que era um contencioso fútil e artificial, que era uma manobra para consumo interno, que era uma forma de esconder as suas próprias fragilidades. Ninguém o fez porque estavam em causa exigências justas, equilibradas e fundamentais. Tratou-se de um apelo a um dos princípios fundamentais da União, o principio da solidariedade.”

Um mês mais tarde, acrescentou o deputado, uma afirmação acertada de António Costa, que dizia o seguinte: «Não podemos ficar à espera ilimitadamente, mas temos de saber com que armas contamos. Como tenho dito, vamos precisar de saber se o programa de recuperação nos disponibiliza uma fisga ou uma bazuca, em função de que com a fisga ou com a bazuca termos um poder de fogo distinto no nosso programa de recuperação».

 

Também aqui, ressalvou, ninguém achou tratar-se de um contencioso fútil e artificial.

 

Contudo, no que diz respeito às reivindicações da Madeira, já se fala em contencioso. “Durante todo este período, aqui na Região, todos os encargos resultantes da pandemia e respetivas consequências, com a prevenção, com os tratamentos, com a preparação, com os equipamentos de segurança, com o apoio às empresas e famílias, têm sido assumidos pelo Orçamento Regional”, recordou Carlos Rodrigues.

O deputado salientou que, “desde que este governo socialista está no poder, temos vindo a assistir a uma degradação das relações com a República e, ao contrário do que os enormes pensadores e comentadores da vida pública regional teorizam, a origem dessa degradação não está aqui, mas sim a 500 milhas de distância, pelas respostas não dadas, pelas promessas não cumpridas e pelos compromissos falhados”.

Face a este cenário, Carlos Rodrigues adianta que “o partido socialista pode arengar o que quiser, pode distorcer como entender, mas, hoje, mais do que nunca, quem está em falta, uma vez mais, é a república, não reconhecer isto não só é um disparate como uma afronta abismal”.

Para o deputado, “a solidariedade que Lisboa exigiu e obteve de Bruxelas é a mesma que agora deve à Madeira e aos madeirenses, dizer o contrário é cinismo e hipocrisia”.