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O deputado Carlos Rodrigues afirmou hoje, na intervenção de encerramento da discussão do Orçamento Suplmentar de 2020, que este instrumento, que acabou de ser aprovado, na Assembleia Legislativa da Madeira, tem por objetivo acomodar o combate à pandemia e aos seus efeitos imediatos. "De hoje em diante, urge reerguer a nossa economia, afastar as cinzas e renascer", disse, salientando que "carpir mágoas e permanecer no sofrimento não resolve a vida de ninguém e só contribui para o afundamento generalizado da nossa sociedade.

Para o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, "é consensual a inevitável e aguda necessidade de promover este despertar das sociedades, sob pena de se entrar numa espiral recessiva de recuperação quase impossível", sublinhando que "não estamos em tempos de olhares paroquiais, mas sim de termos uma visão abrangente de toda a Região e daquilo que queremos para o nosso futuro". "Não há tempo para ser medíocre e de vistas curtas", acrescentou, ressalvando que "temos de ser capazes de superar o hermetismo de que, por vezes, se reveste o homem insular, a incapacidade de ver para além do horizonte, a tendência para se enredar na invídia mesquinha, na disputa de pequenos poderes".

Carlos Rodrigues adiantou que "este é um desígnio colectivo e, para ter sucesso, não pode ficar refém de homens providenciais, proprietários de verdades insofismáveis, paladinos de virtudes e soluções. O desafio é de todos e para todos, ninguém pode ser excluído e, muito menos, se sentir excluído".

E esse desafio passa por "desenvolver uma sociedade preparada para enfrentar choques similares aos que estamos a viver, reduzindo ao mínimo possível a nossa susceptibilidade e exposição a factores exógenos, aproveitando a capacidade instalada e o capital humano existente".

Para isso enumerou um conjunto de prioridades que passam pelas seguintes áreas: 

  • Novo Hospital, com todas as valências já definidas dando particular enfoque a capacidade de formação e investigação, bem como de apoio ao turismo de saúde.
  • Modernização dos principais centros de saúde concelhios ao nível das instalações bem como ao nível de equipamentos completando a rede com benefícios imediatos para os residentes e todos os que nos visitam.
  • Aumento da capacidade de apoio à terceira idade ao nível de infraestruturas residenciais e assistenciais, caminhando no sentido de nos constituirmos, também, como destino preferencial para aqueles que pretendem gozar as suas reformas num sítio seguro, aprazível e confortável, respondendo, simultaneamente às necessidades da população residente.
  • Parque escolar, essencialmente ao nível dos equipamentos e novas tecnologias, caminhando no sentido de todas as salas de aulas serem salas do futuro.
  • Transformação da Universidade da Madeira noutro tipo de instituição de ensino superior onde se deve adicionar a componentes Turismo e Saúde estabelecendo sinergias com a uma nova Escola de Hotelaria e o novo Hospital da Madeira.
  • Habitação social através da reabilitação do parque existente, bem como da construção de fogos adicionais em quantidade suficiente para suprir as necessidades já identificadas.
  • Infraestruturas de captação, tratamento e distribuição de água potável para que se acabe de uma vez por todas com o desperdício absurdo que continua a existir deste recurso cada vez mais escasso. A importância deste recurso não pode estar sujeita a interesses específicos e locais tendo a sua gestão, obrigatoriamente, passar para uma estrutura única que integre os dois stakeholders envolvidos, Governo regional e autarquias.
  • Tratamento e valorização de resíduos. Nesta matéria, o caminho a seguir deverá ser idêntico àquele apresentado para a água consumível.
  • Energia sustentável, produção, distribuição e consumo, com o claro objectivo de reduzir a dependência externa aliado à proteção ambiental e descarbonização da economia.
  • Comunicações (capacidade, cobertura, velocidade e redundância) com o objectivo de facilitar o teletrabalho, a telemedicina e o acesso dos cidadãos aos serviços públicos.
  • Acessibilidade aérea e marítima, com particular relevância no apetrechamento do aeroporto da Madeira com os equipamentos críticos para a sua operacionalidade.
  • Preparação e combate a calamidades onde se inclui, a título de exemplo, o meio aéreo estacionado de forma permanente e com capacidades adicionais.

Para o deputado, "este conjunto de prioridades que não é hermético nem estático, responde a vários dos critérios acima apresentados, é um caminho livre, não um túnel irreversível. É uma opção sujeita a melhorias e não um dogma imutável".

Carlos Rodrigues sublinhou que a Madeira aproveitou a pandemia "para atacar de forma firme, sem hesitações, os problemas da desigualdade, da sustentabilidade, das alterações climáticas, da pobreza e da digitalização", considerando que, "para além das medidas de apoio imediato preconizadas pelos diferentes governos e instituições, um dos motores fundamentais para o reerguer económico terá de ser o investimento público".

Isto numa lógica de ter o "Estado como motor, impulsionador" e não "o Estado omnipresente e pegajoso que dificulta". "Agora sim, o Estado tem de ser o grande facilitador", observou, lembrando que, "ao fim ao cabo, tem de ser o Estado, que somos todos nós, a empurrar num sentido comum, garantindo oportunidades e afastando os obstáculos".

Vídeo da intervenção

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