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O Grupo Parlamentar do PSD recomenda ao Governo Regional a criação de um Plano de Ação concertado para o pêro, pêra e maçã da Madeira, direcionado e vocacionado para as nossas variedades regionais, que envolva agricultores, associações e entidades públicas e privadas.

A proposta foi discutida hoje na Assembleia Legislativa da Madeira, duranta a qual o deputado Nuno Maciel afirmou que, como esta medida, pretende-se retirar “o máximo proveito da excelência desta matéria-prima, necessária a um produto que é cada vez mais reconhecido e procurado no mercado regional, nacional e internacional, que é a sidra e que eleve a marca registada Sidra da Madeira dentro e fora da Região, como um produto que se distingue e identifica a sua origem, alavancando esta produção no contexto regional e acrescentando escala e valor económico aos nossos produtores proporcionando-lhes rendimento e qualidade de vida”.

De acordo com o deputado, no ano passado, a produção regional de pêro, pêra e maçã atingiu as 2.328 toneladas, em 158 hectares, e a sua transformação em sidra chegou aos 345 mil litros, num valor de mercado de sensivelmente 1,7 milhões de euros, que chegam a 360 produtores.

Nuno Maciel salientou que as principais zonas produtoras são as freguesias de Santo António da Serra, Camacha, São Roque do Faial, Jardim da Serra, Prazeres e Ponta do Pargo e registaram uma produção superior, comparativamente ao ano de 2018.

Este crescimento, segundo o deputado, também se refletiu no apoio ao melhor cultivo destas árvores, uma vez que os serviços da Direção Regional de Agricultura realizaram ações de poda em quase 8.000 macieiras, e 140 operações de enxertia.

A par destas ações, continuou, foram distribuídos aos agricultores quase 1200 árvores (macieiras e pereiros), de um total de 2800, ou seja, o Governo Regional fomentou cerca de 45% de incentivo desta cultura em 2019.
Por outro lado, lembrou Nuno Maciel, “no início do presente ano, foi inaugurada a primeira mini-sidraria, de uma rede que se quer regional, no Santo da Serra, e está em construção a segunda, precisamente nos Prazeres aliada ao projeto da Quinta Pedagógica e que servirá também os agricultores da Fajã da Ovelha e da Ponta do Pargo”.

Esta rede regional ficará completa com mais duas mini-sidrarias nos concelhos de Santana e Câmara de Lobos e uma sidraria central com laboratório de análises que irá conferir o necessário apoio laboratorial às sidrarias locais, dispondo de equipamentos para a produção de sidras naturais mais elaboradas. Em breve, a Madeira passará também “a dispor de um serviço público para os agricultores que se dedicam a esta cultura de transformação de maçãs, pêros e pêras, para a obtenção de vários tipos de Sidra da Madeira, marca que se quer registada, e, ainda, de vinagres de sidra e vinagres de maçã”.

Além disso, tendo em conta o potencial e as características deste produto e o incremento da sua produção, o Governo criou um Decreto Legislativo Regional que define e carateriza a sidra, o vinagre de sidra e o vinagre de maçã produzidos na Região Autónoma da Madeira e estabelece as regras e normas aplicáveis à sua colocação no mercado.

“A par de tudo isto, importa preservar e aumentar a produção das nossas doze variedades tradicionais de pêro, pêra e maçã da Madeira, já admitidas e inscritas no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Fruteiras da Direção Geral de Alimentação e Veterinária, com o objetivo de salvaguardar o património genético destas nossas espécies”, disse Nuno Maciel, ressalvando o “excelente trabalho de investigação e catalogação realizado pela Associação de Agricultores da Madeira e pela Direção Regional de Agricultura, que nunca é de mais salientar”.

Para o PSD, para alavancar esta cultura agrícola são necessárias três ações fundamentais, no sentido de: apoiar de forma direta estes agricultores por via de incentivos para a constituição de pomares e explorações agrícolas de maior dimensão, privilegiando sempre as nossas variedades tradicionais, de modo a que a produção regional ganhe escala na cultura de base; dotar os agricultores que se dedicam, ou venham a dedicar-se a este cultivo, de conhecimentos atualizados sobre as técnicas agronómicas mais indicadas ao melhor desenvolvimento destas produções em cada localização geográfica e cota de altitude, tendo em conta a melhoria e conservação das espécies tradicionais e o aumento da capacidade produtiva das explorações; dar formação específica aos agricultores tornando-os competentes para gerir, planear e coordenar as práticas agrícolas com uma eficiente racionalização dos fatores de produção, ambientalmente responsáveis e cumpridores das regras de higiene e segurança alimentar, indispensáveis a uma produção agro-alimentar que se quer competitiva e segura em mercado.