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A falta de resposta do Governo da República às reinvindicações da Madeira para atender às dificuldades causadas pela pandemia Covid-19 estiveram em destaque no debate mensal com o Governo Regional, na Assembleia Legislativa da Madeira.

O líder parlamentar do PSD, Jaime Filipe Ramos, salientou que "tudo tem sido feito do lado da Região para que o Governo da República possa responder afirmativamente às nossas intenções". Por isso, interrogou-se, sobre o porquê desta "falta de vontade". 

Jaime Filipe Ramos salientou que há da parte da oposição a defesa de que é necessário abrir um novo clima de diálogo, quando a Madeira tem feito esses contactos, mas "essa correspondência tem sido só num sentido".

"Eu acho que o sr. Presidente da República não pode ficar à margem. Tem de perceber que se há uma região disponível para dialogar e há um Governo da República que não quer dialogar, há que interferir porque não se pode ficar eternamente neste jogo", disse.

O líder parlamentar referiu que lhe parece que "há alguém que quer que a Madeira fique submissa", algo que no passado não conseguiu e que o povo não vai aceitar.

Ou seja, sublinhou, aqueles que mais falam em diálogo são os que menos o querem praticar. 

Jaime Filipe Ramos considera, por isso, que é necessário voltar a interrogar o Governo da República  e lembrou que o Primeiro-ministro afirmou que precisava de saber se ia ter da parte de Bruxelas uma bazuca financeira ou uma fisga. "Eu quero saber também a que é que a Madeira tem direito porque, atéa agora, nem bazuca, nem fisga, nem míssil, nem elástico. Nada!".

Precisamente o contrário do que o país reclama da União Europeia, afirmou: "Sr. Presidente, o que é que acha de um Primeiro-ministro que fala grosso com Bruxelas, mas que se comporta grosseiramente com a Madeira?", questionou o líder do grupo parlamentar, numa pergunta dirigida a Miguel Albuquerque.

Jaime Filipe Ramos salientou que este momento deve levar a uma reflexão sobre os poderes da nossa Autonomia. "Eu recordo a disponibilidade que a Madeira teve para fechar as marinas e os portos e a dificuldade que tivemos para fechar o aeroporto." O Estado "assumiu essa tutela" e "não autorizou", o que é "revelador da necessidade da progressão do nosso processo autonómico". Deixou ainda a "alguns" o conselho para que possam melhorar a sua ação porque ", agora, é tempo de agir".

Também o deputado Carlos Rodrigues lamentou que, ao contrário de Espanha, Itália e Alemanha, que há ajudaram as suas comunidades autónomas, Portugal tenha decidido esperar pelos apoio da União Europeia para fazê-lo.

Do mesmo modo, José Prada, disse ser "lamentável que, em dois meses, não se tenha ouvido falar da Madeira a nível nacional", referindo, contudo, que, "mais do que isso, o que importa neste momento é que a Madeira encontre soluções que sustentem a sua recuperação e mecanismos a que possa acorrer, caso venha a ser, mais uma vez, negligenciada e posta de parte e em espera pelo seu próprio País." -

Por seu lado, a deputada Rubina Leal afirmou que não devemos dizer que a COVID chegou à Madeira mais tarde. "Aquilo que temos de dizer é que este Governo, que as entidades de saúde públicas, que a autoridade de saúde e que todos os profissionais fizeram o seu trabalho e encetaram as medidas a tempo e horas".

Já Bruno Melim destacou a resposta social que a Madeira tem dado à sua população neste tempo de pandemia, mesmo sem conhecer ainda o orçamento da segurança Social para a Madeira.

Entre as medidas, lembrou o reforço da linha de técnicos do programa Maiores de 65 anos, destinado a combater a solidão dos idosos, assim como o reforço em 500 mil euros nos apoios às famílias carênciadas, a isenção das rendas sociais dos meses de abril, maio e junho e a criação do gabinete de apoio da linha social. Isto sem esquecer dos mais jovens, com o reforço do apoio aos trabalhadores independentes, mas sobretudo com a criação de uma portaria que prevê que todos os beneficiários dos programas de emprego, do Instituto de Emprego da Madeira, não fiquem prejudicados com a suspensão das suas formações ou estágios.

Bernardo Caldeira elogiou o comportamento exemplar da população e das diferentes entidades no Porto Santo, que levou a que seja hoje uma ilha livre de Covid. O deputado referiu também as medidas de discriminação positiva que foram lançadas pelo Governo, entre elas o facto de ser tido como referência das quebras de facturação 15% e não os 40% que se verificam na ilha da Madeira, sendo a comparação feita com o período homólogo do ano anterior.