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O deputado Nuno Maciel dedicou hoje a sua intervenção, no período antes da ordem do dia, na Assembleia, Legislativa da Madeira, à descentralização da Cultura, numa lógica de que esta é "um meio para transformar positivamente a sociedade em que vivemos e a deixarmos melhor do que a encontramos, depois de esquecermos tudo o que foi feito e por quem foi feito".

A este propósito lembrou o processo de construção da Casa das Mudas, recuando até ao mês de outubro do ano de 2004, mês que marca a abertura oficial do então Centro das Artes, na Calheta. "À data, muito se especulou sobre este extraordinário investimento cultural localizado, segundo alguns, no fim do mundo, ou onde tudo acabava. Nunca esquecerei uma célebre nota pública dada por um dos oradores, que afinal era ali que tudo iria começar. Confesso que senti uma alegria especial naquela nota e acreditei que estávamos perante um momento culturalmente histórico para a nossa região."

Efetivamente, sublinhou o deputado, "ao longo destes 15 anos, aquela infraestrutura cultural sobejamente galardoada, e que é fruto da visão dos que projetam para além do seu tempo, embora outros tivessem preferido apelidar de política do betão, tem tido uma atividade assinalável e tem contribuído sobremaneira para a dinâmica local engrandecendo na Calheta e a partir da Calheta a atividade cultural na região".

Nuno Maciel lembrou que, em outubro de 2015, o Centro das Artes Casa das Mudas passou para a tutela da Direção Regional de Cultura, recebeu a coleção de arte contemporânea e passou a designar-se simplesmente de: Mudas – Museu de Arte Contemporânea da Madeira.

"Com esta nova tutela, o Mudas ganhou um novo fôlego, ampliou a sua atividade e alicerçou o seu espaço de afirmação de uma verdadeira ação política de descentralização cultural ao serviço da região e do país", disse, salientando que tal também se deve "à designação de uma Diretora empenhada e competente que se dedica a tempo inteiro de alma e coração ao projeto, aliada a uma equipa de trabalho, que apesar de pequena, veste a camisola da casa e transpira o que for preciso para que não se note a falta de recursos humanos". Isto, a par de uma notável programação diferenciada.

O exemplo deste sucesso, salientou Nuno Maciel, é o balanço do ano de 2018, que fechou com mais de vinte mil entradas registadas em visitas ao museu, quase duplicando o número de 2016.

Os serviços educativos em 2018 receberam perto de 4000 crianças, jovens e adultos, quase o dobro de 2016, que em diferentes oficinas e workshops puderam experimentar as mais variadas formas de expressão artística e assim conviver de perto com a criação e a fruição em arte.

Nesse mesmo ano, de 2018, o auditório do Mudas ultrapassou os 9000 utilizadores, em 36 eventos com diferentes propostas culturais desde concertos, peças de teatro, espetáculos de dança, sessões de cinema, conferências, etc.

O projeto de verão Mudas hotssumer mereceu igualmente destaque, por parte do deputado, pela diversidade da programação proposta e pela qualidade dos artistas que ali têm passado. Entre eles, Vera Mantero, Olga Roriz, Diogo Infante, Rita Salema, Patrícia Tavares, Ruy de Carvalho, Ana Bola, Labaq, JP Simões e ainda a companhia Chapitô, peças como Dias Felizes de Samuel Beckett, sendo estes apenas "alguns de muitos outros exemplos" que "reforçam o extraordinário trabalho de dinamização cultural em diferentes formas de expressão e que materializam a descentralização da cultura num polo fora do Funchal, levando públicos e contribuindo para que outras localidades possam igualmente apreciar propostas inovadoras e diferenciadoras".

O deputado sustentou ainda que "a indústria criativa e cultural leva e cria públicos que dinamizam a economia local, contribuindo para que a restauração, o alojamento e a animação turística encontrem valor acrescentado à sua atividade".

Além de todo o trabalho artístico, Nuno Maciel refere que a ação deste polo cultural não se coíbe em articular com as instituições locais e é já imagem de marca que os projetos educativos das escolas e de outras entidades de base local encontram espaço para ali realizarem as suas atividades e assim cumprir com o papel formativo na educação para a cultura e para as artes. "A presença de estudantes em visitas a exposições, a apresentação de peças de teatro e outras atividades culturais cujos protagonistas são os próprios jovens complementam esta ação local de formação de públicos e de enraizamento de uma identidade com o espaço que sedimenta a função educativa da instituição e semeia grãos culturais para um futuro que se crê mais sorridente", afirmou.

Segundo o deputado, tudo isto "só é possível porque há uma visão governativa abrangente e global que encara o desenvolvimento cultural de todo um território, promovendo ações em diferentes polos e cativando todos os madeirenses para a fome de cultura".

Um "desígnio não tem cor nem lado. Não é uma questão da esquerda ou da esquerda da esquerda! A fome e a educação para a cultura está presente nesta governação regional descentralizada que acredita na transformação social de todos os cidadãos, na redução de assimetrias e na igualdade de oportunidades, sejam em que geografia for. E é por aqui que continuaremos a trilhar o caminho, é este o rumo que o governo regional certamente continuará e implementar".