• bannerSitePSDM3jan2020.jpg

"25 de abril sempre, 25 de novembro todos os dias, 25 de abril sempre, 1 de julho cada vez mais para sempre." Foi assim que o deputado Carlos Rodrigues iniciou e concluiu a sua intervenção, na cerimónia comemorativa do 45º aniversário do 25 de abril, que decorreu hoje na Assembleia Legislativa da Madeira.

O porta-voz do Grupo Parlamentar do PSD/M afirmou que o sol que brilhou a 25 de abril, quando a liberdade foi devolvida por vários homens liderados por Salgueiro Maia, depressa se escondeu no espaço de 24 horas, quando "a revolução foi sequestrada pelos 'outros'".

Segundo Carlos Rodrigues, de 26 de abril a 25 de novembro, os "outros", aqueles que "assistiram de bancada" e que ficaram nos gabinetes" no dia da revolução,enquanto os "primeiros enfrantavam os tanques do Terreiro do Paço", as balas dos agentes da PIDE e a oposição da GNR no Quartel do Carmo", tudo fizeram para se "apoderar do país, com o objetivo de trocar uma ditadura por outra".

"Trabalharam na calada, apenas, para trocar um regime autoritário por outro regime autoritário", disse, salientando que, desta vez, a "ditadura seria de uma esquerda cega, cínica e hipócrita, porque se dizia emanada do povo, quando, na realidade, era liderada por uma mão cheia de 'camaradas' sequiosos de vingança, pouco dados a democracias".

Os mesmos, adiantou, que "ainda hoje acham que a Coreia do Norte e a Venezuela são democracias".

Para Carlos Rodrigues, "durante esse ano e meio, Portugal foi uma nação falhada, mergulhada num caos terceiro mundista como acontece sempre  que a esquerda dogmática e intolerante chega ao poder".

"Já estavamos em 26 de abril, mas os crimes hediondos de 24 repetiam-se, apenas tinham mudado os autores porque as vítimas se mantinham as mesmas, o povo, esse povo que nem teve tempo de celebrar a liberdade porque logo caiu numa ditadura", comandanda pelos "outros, que se diziam melhores, mas que agiam como cópias rascas dos torcionários fascistas".

"Outros que tiveram em Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Vasco Gonçalves e outros peões de brega os seus expoentes mais notórios", disse.

Por isso, sublinhou que "celebrar o 25 de abril é também renegar esses atores principais que, hoje, felizmente, e a bem da Nação, não passam de meros figurantes, mas que ainda teimam em se arrastar por aí".

De acordo com Carlos Rodrigues, aos que ficaram nos gabinetes e "não perceberam qual o seu papel na história, o país apenas deve o atraso, o trauma e o complexo".

Apesar da restituição da liberdade e da evolução verificada, nos últimos 45 anos, o deputado considera que "estamos ainda muito longe de um aceitável nível de progressão", porque "permitimos, enquanto sociedade, sermos liderados por pessoas de pouco carácter, sem estatura, que, por 15 minutos de fama, estão dispostas a tudo, gente pequena que pensa apenas ser reeleita ao fim de quatro anos, incapaz de pensar o país a 10, 20, 30 ou 40 anos, gente que se deixa impressionar por personagens artificiais que não passam de carteiristas engravatados, que se deixam corromper, influenciar e manipular por migalhas mediáticas e páginas de jornais, gente que gere o país como se de uma chafarica se tratasse, contratando, nomeando e indicando familiares, amigos, familiares  de amigos e amigos de familiares, numa vertigem de nepotismo exacerbado e despudorado, gente que chama de selvagens aos enfermeiros, que mente aos professores, que humilha os médicos, que desautoriza as forças de segurança, que ridiculariza os militares e que escarnece da população em geral".

O deputado salientou que, no seu ponto de vista, abril é mais importante ainda "porque significou o início do nosso processo autonómico, pelo menos em termos formais".

"A vontade de sermos livres tem centenas de anos, várias foram as iniciativas e os homens que por tal desiderato se bateram. Porém, foi abril que permiutiu a consagração da Autonomia. Poderia ter sido a grande oportunidade para se obter um regime inovador que verdadeiramente respondesse às históricas aspirações das populações insulares, mas não foi isso que aconteceu." Carlos Rodrigues afirmou que "o cepticismo da classe política de Lisboa, impregnada por um centralismo secular e imobilizante", e os traumas de uma descolonização "atabalhoada e crimonosa" e o "indisfarçável e saudosista complexo de superioridade imperialista foram factores que cercearam a extensão e abrangência do regime pelo qual os povos da Madeira e dos Açores ansiavam".

Depois de dar vários exemplos, Carlos Rodrigues afirma que "tudo tem servido para atrasar a evolução da Autonomia", a qual está "longe de estar concluída" e está também "distante de ser suficiente".

"Temos feito bem, mas queremos ter a possibilidade de fazer melhor. Para isso, reivindicamos as alterações indispensáveis e necessárias à Constituição e ao Estatuto. Sob a alçada do Estado apenas deve ficar a defesa, os negócios estrangeiros, a justiça e os direitos, liberdades e garantias. Tudo o resto cabe à Região, à sua população e aos seus órgãos de Governo próprio decidir."