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A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou hoje, na generalidade, um projeto de resolução, da autoria do PSD, com vista à criação de uma Rota de Açúcar, como turismo cultural.

Na discussão, a deputada Josefina Carreira lembrou que "o cultivo da cana-de-açúcar no arquipélago da Madeira, iniciado no século XV, foi de tal modo marcante que ainda hoje, em pleno século XXI, não só ainda persiste, como é possível testemunhar todas as transformações e a riqueza patrimonial que advieram da economia açucareira."

A deputada salientou que "a indústria do açúcar ditou, de facto, importantes páginas da história da Madeira, na agricultura, na indústria, nas relações comerciais, na prosperidade de elites, e no fulgor cultural que proporcionou, nomeadamente através de encomendas de obras de arte às melhores oficinas europeias".

"A riqueza do património madeirense, sobretudo em obras de pintura, escultura ou ourivesaria é inegável, e foi celebrada recentemente com a exposição “As ilhas do ouro branco”, no Museu Nacional de Arte Antiga", disse.

Josefina Carreira sublinha que "a proliferação de engenhos por toda a ilha deixou-nos um património industrial valioso, permanecendo ainda em funcionamento a Companhia dos Engenhos da Calheta, hoje Sociedade de Engenhos da Calheta, a Companhia de Engenhos do Norte, no Porto da Cruz e a Fábrica do Ribeiro Seco, para além de dois novos engenhos, que começaram a laborar no século XXI". E adiantou que a Antiga Fábrica de Destilação de Aguardente da Ribeira Brava merece também destaque, uma vez que acolhe hoje o Museu Etnográfico da Madeira, o que permitiu uma melhor conservação valorização e divulgação da história do açúcar, nomeadamente junto dos mais novos.

"O legado da indústria açucareira constitui, sem dúvida, um elemento distintivo da nossa identidade cultural. A Madeira é detentora de um património industrial com características únicas a nível nacional e internacional. O cultivo da cana-de-açúcar é uma aposta de centenas de agricultores, sobretudo nos concelhos do sul da ilha, sendo apoiado pelo Governo Regional e pelos fundos europeus. Deste cultivo surgem alguns dos principais produtos regionais com a marca Madeira: a aguardente ou rum, o mel de cana, e toda uma doçaria tradicional. Assim, na gastronomia, na paisagem agrícola, no saber fazer, no património industrial e artístico, há todo um roteiro de história e experiências a potenciar. Daí que estejam criadas todas a condições para um cartaz turístico regional dedicado a esta temática, a Rota do açúcar, enquanto mais-valia agro-industrial, cultural e turística."

A deputada referiu que há dois aspetos essenciais considerar na concretização deste projeto: por um lado, importa envolver as autarquias locais, os empresários e todas as entidades que têm vindo a trabalhar nesta área; por outro, conceber um cartaz regional que se materialize sobretudo onde o cultivo e a transformação da cana-de-açúcar têm lugar. "Esta visão permitirá não só reconhecer o esforço de dinamização deste setor, mas também dar seguimento à política de descentralização dos eventos turísticos regionais", afirmou, acrescentando que, "por essa razão, os eventos que têm decorrido, em especial nos concelhos da Calheta, da Ponta do Sol e de Machico, devem ser igualmente tidos em conta".

Josefina Carreira sublinhou ainda que o PSD está convicto de que esta proposta se enquadra de forma natural na aposta turística da Madeira e na estratégia que tem sido seguida. Ao enaltecer a importância histórica, social e económica da indústria do açúcar, reforçaremos a autenticidade do destino Madeira. "A Rota do Açúcar permitirá, deste modo, celebrar da melhor forma todo este património cultural, valorizar os produtos regionais e completar o leque dos principais eventos turísticos da Região", disse.

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