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Notícias
  Quinta, 9 Março 2017

Cinco homens. Cinco perspetivas deles sobre elas. Foi este o mote de uma tertúlia realizada ontem, no SCAT, pelos TSD/Madeira, sob o tema 'Mulheres, o que eles falam sobre elas'.

Carlos Mendonça, psicólogo clínico, Sérgio Marques, político, Vítor Calado, gestor, Avelino Lopes, sacerdote, e João Miguel, médico, foram os cinco convidados da secção de psicologia dos TSD/Madeira.

Helena Leal, responsável por aquela secção laboral, sublinhou que o objetivo da iniciativa foi o de criar um contexto para celebrar o Dia da Mulher "de uma forma mais relaxada", mas tentando "perceber um bocadinho melhor a evolução da mulher ao longo do tempo e formar algumas questões que poderão fazer sentido". Contudo, foi sobretudo, um encontro para "troca de saberes e visões" e um convite à reflexão. 

Apesar de a celebração ser virada para a Mulher, Carlos Mendonça optou por centrar a sua comunicação nos aspetos que são comuns a ambos os géneros, apesar dos aspetos diferenciais que existem.  "O que é central nesta discussão são as pessoas, são as personalidades, é o carácter, as competências. E este conjunto de aspetos não têm género."

Já Vítor Calado entende que, mais importante do que discutir o Dia da Mulher, "devemos falar cada vez mais do papel da mulher na família, da mesma forma que devemos falar do papel do homem na família". "É mais importante para mim falar no aspeto familiar do que a condição feminina", sublinhou, acrescentando que lhe custa a aceitar, em pleno século XXI, "que se continue a falar na libertação da mulher, no dia da luta". "Isto foi em 1920 na primeira guerra mundial, quando os homens foram todos para a guerra e as mulheres tiveram de suportar todos os trabalhos", acrescentou.

Segundo Vítor Calado, houve, desde então, uma evolução das sociedades, não conseguindo rever-se hoje nessa ideia de que a "mulher ainda precisa de se afirmar como uma lutadora", tendo de revindicar o seu espaço. "Cada vez mais, e ainda bem que é assim, nós encontramos sociedades igualitárias, sociedades que tratam de igual forma a mulher e o homem e acho que a mulher, ao tentar impor este seu dia, entra em excessos e acaba por passar uma ideia diferente daquela que motivou a criação deste dia. Acabamos por inferiorizar o papel da mulher em vez de estarmos a chamar a atenção para outros aspetos que são um bocadinho mais importantes, que devem ser os aspetos familiares e não apenas da condição feminina".

Opinião diferente tem Sérgio Marques. "Acho que faz todo o sentido celebrar o Dia da Mulher, não só para afirmar a diferença da mulher, mas também para a cada ano fazermos o balanço daquilo que fizemos no sentido de que a mulher um dia tenha um estatuto de plena igualdade na nossa sociedade," ainda que, sublinhou, "enormes passos já se tenham dado nesse sentido". 

Por seu lado, Avelino Lopes lamentou a opinião geral sobre a mulher no contexto religioso. "Quando falamos da mulher na igreja parece que falamos logo numa mão cheia de negativas", afirmou.

O sacerdote reconhece que, como em todas as áreas, na igreja o papel do homem sobressaiu, mas considera injustas algumas perspetivas que acabam por ser sussurradas na sociedade. "Há situações que são mais concretamente ligadas à mulher e outras que estão completamente ligadas ao homem e é essa diferença que faz esta riqueza", disse. "Por vezes é mais uma questão de natureza", adiantou, salientando que, na igreja, a mulher "teve um papel muito importante ao longo dos anos, e talvez o mais bonito, e que é esquecido nos discursos".