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  Quinta, 17 Fevereiro 2022

Cláudia Monteiro de Aguiar: “por falta de bom-senso de quem fez estas propostas estamos a desviar o foco do que realmente é importante: a prevenção e luta contra o cancro, motivo que deveria ser unificador e não criar divisões desnecessárias e artificiais”.

No âmbito de um relatório de iniciativa da Comissão Especial para a Luta contra o Cancro do Parlamento Europeu, os Eurodeputados votaram, na sessão plenária desta quarta-feira, em Estrasburgo, no sentido do reforço da estratégia europeia de combate ao cancro.

Perante algumas propostas mais polémicas, sobretudo relativamente ao consumo de álcool e aos seus efeitos em termos de risco, que afeta sobretudo o sector dos vinhos, a Eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar afirmou que “por falta de bom-senso de quem fez estas propostas estamos a desviar o foco do que realmente é importante: a prevenção e luta contra o cancro, motivo que deveria ser unificador e não criar divisões desnecessárias e artificiais”.

“Em muitas áreas os eurodeputados têm enveredado por posições radicais, sem o mínimo de proporcionalidade e respeito, quer pela cultura europeia, quer pelas artes e ofícios tradicionais que têm moldado a nossa história. É o caso do sector do vinho, uma atividade tradicional, importante para a dieta mediterrânica, amplamente reconhecida como saudável e que deve ser ensinada e incentivada. Entrar em radicalismos, propostas avulsas e cujos efeitos não foram estudados não faz o mínimo sentido. Não existindo razoabilidade e proporcionalidade, estaríamos a prejudicar um sector de atividade importante para Portugal e para a Europa, sem garantias de eficácia na luta contra este flagelo do cancro. Apelar a um consumo moderado de álcool faz sentido e a indústria já o pratica; considerar que todo o tipo de consumo é um fator de risco e utilizar a rotulagem para o efeito é equiparar ao consumo do tabaco, o que me parece pouco razoável”, referiu a Eurodeputada Social-democrata. 

Cláudia Monteiro de Aguiar reitera ainda que “sugerir o aumento de impostos e a inclusão de avisos sanitários na rotulagem pode ter um efeito devastador no sector, sem que exista qualquer garantia que se possa traduzir de forma positiva na prevenção do cancro, sendo por isso importante que os Eurodeputados se deixem de extremismos ou de posições ideológicas inflexíveis. Felizmente, conseguimos aprovar algumas emendas que corrigem estes erros, conferindo relevância ao que deve ser relevante, que é a luta contra o cancro, conferindo um espírito de missão a esta temática. Temos de fazer muito mais na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da doença, com foco no essencial, se possível evitando alguns devaneios que desviam a atenção do que realmente é importante. Transformou-se um relatório que visava o cancro num relatório que visa o sector vitivinícola, cervejeiro e bebidas espirituosas, o que não faz sentido.”

A Eurodeputada do PSD faz ainda uma referência ao “trabalho excecional que as associações do sector fizeram junto do Parlamento Europeu, demonstrando os efeitos que estas propostas poderiam ter nos seus mercados, fundamentando os seus argumentos em pareceres científicos”.

“Vinda de uma região ultraperiférica, onde a viticultura desempenha um papel estruturante na economia regional, numa das categorias de nicho premium, como o vinho Madeira, não podia deixar de defender a ponderação e sensatez nesta matéria”, conclui a Eurodeputada.

Na votação 652 eurodeputados votaram a favor, 15 contra e 27 abstiveram-se, aprovando emendas que retiraram do texto final alguns dos pontos mais polémicos relacionados com o consumo de álcool.