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  Quinta, 21 Outubro 2021

Eurodeputada entende que, além do Relatório não ter suporte científico, o impacto no setor da agricultura e nos preços dos produtos não está quantificado

O Parlamento Europeu aprovou, no dia 19 de outubro, uma Proposta de Resolução sobre a Estratégia do Prado ao Prato. Apesar de concordar com a necessidade de maior sustentabilidade do sector da agricultura e das pescas, a eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar votou contra o texto final por considerar que “a estratégia proposta não se baseia em estudos científicos e que o impacto, tanto para o setor quanto para o consumidor final, não está devidamente quantificado”.

A eurodeputada do PSD sublinha “temer que aconteça com os produtos agrícolas o que se verifica com a energia, com as decisões, apesar de bem-intencionadas, a terem um impacto imprevisível, nomeadamente na escalada na estrutura de custos dos agricultores e, consequentemente, nos preços junto dos consumidores”. Refere, ainda, que “existem estudos que apontam para a redução da produção em solo Europeu, o que implicará a importação de produtos de países terceiros, a preços mais elevados”, situação que, no limite, anulará qualquer ganho em termos de pegada ecológica. “Não podemos esquecer que a Europa tem regras restritas no que diz respeito às pescas e rege a sua produção agrícola por elevados padrões de qualidade e sustentabilidade”, acrescenta.

Uma questão que, conforme reforça Cláudia Monteiro de Aguiar pode ser ainda mais complicada para as Regiões Ultraperiféricas. “Por um lado, podem ficar ainda mais dependentes de produtos do exterior, mais caros e, por outro, assistir à degradação da competitividade dos seus produtos de qualidade, seja nas pescas, seja na agricultura, com o consequente encerramento de empresas ou abandono da atividade”, explica a eurodeputada.

“É importante incentivar práticas sustentáveis, amigas do ambiente, mas não se subestimem os efeitos na vida das pessoas. Suportem as estratégias e as decisões em pareceres científicos consistentes e trabalhem junto dos agentes, sejam agricultores, sejam pescadores, até porque sem os ouvirmos não conseguimos atingir os objetivos a que nos propomos e esta estratégia estará votada ao fracasso”, rematou Cláudia Monteiro de Aguiar.

A Proposta de Resolução foi aprovada com 452 votos a favor, 170 contra e 76 abstenções.