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Notícias
  Quarta, 16 Dezembro 2020

Deputado Social-democrata teceu, ontem, duras críticas à forma como o Estado tem gerido a reestruturação da companhia e afirmou que um Ministro desautorizado, pelo seu próprio Governo, dificilmente consegue encontrar a solução que se impõe quanto ao futuro da transportadora aérea. Ocasião em que lembrou a necessidade da Região ser acautelada neste processo, tanto quanto às rotas e aos preços praticados, quanto ao nível da ligação às suas Comunidades

Na audição que ontem decorreu na Assembleia da República e dirigindo-se ao Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, o deputado Paulo Neves fez questão de sublinhar o seu desagrado perante aquilo que considera ser uma total ausência de estratégia e de visão relativamente ao futuro da TAP, por parte do Estado, companhia essa que vive das injeções financeiras que o seu sócio maioritário assegura, sem, todavia, garantir-se o retorno desejado.

“O fundamentalismo ideológico do seu Governo reverteu a privatização de uma empresa que estava a funcionar bem e a verdade é que o Estado assumiu uma empresa sem, todavia, ter qualquer estratégia para garantir que a mesma funcione e preste um bom serviços aos Portugueses”, vincou, na ocasião, o deputado madeirense, sublinhando que a única coisa que o Governo da República conseguiu fazer, até ao momento, foi entregar a esta companhia milhares de milhões de euros, sem que, perante isso, hajam resultados.

Paulo Neves que considerando Pedro Nuno Santos “um Ministro desautorizado pelo seu próprio Governo” e acusando-o de ser mais à esquerda do que o próprio Bloco de Esquerda mas curiosamente não revelar qualquer sensibilidade social, nomeadamente quanto aos despedimentos já realizados e a realizar, apelou a que, de uma vez por todas, sejam encontradas soluções para a companhia e se garanta, no respeitante à Madeira, o mínimo que se pode esperar deste processo de reestruturação.

“Falamos de três condições essenciais que passam pelo cumprimento do princípio da continuidade territorial e pela garantia de voos frequentes com tarifas razoáveis e não abusivas como aquelas que têm sido praticadas mas, também, da necessidade da TAP saber tirar partido da Madeira enquanto destino turístico, ao promover novas rotas junto dos mercados emissores, sem esquecer a fundamental ligação entre a Região e as suas Comunidades, nomeadamente da Venezuela e da África do Sul”, disse, reiterando que a Madeira e os Madeirenses não podem ser prejudicados neste processo de reestruturação.

Deputado Social-democrata que, na sua intervenção, criticou ainda a forma como o Ministro aludiu aos vencimentos dos pilotos da TAP, sem se ter lembrado de que há muito que o Estado detém a maioria do capital da companhia e podia, assim, ter resolvido esta questão, ironizando que Pedro Nuno Santos aborda vencimentos mas esquece os prémios recentemente distribuídos, com a conivência do seu Governo, esses sim que deviam ser alvo de séria reflexão, sobretudo numa altura tão difícil como aquela que Portugal atravessa.