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  Quarta, 25 Novembro 2020

O deputado Carlos Rodrigues considera que o 25 de novembro foi importante para a consolidação do 25 de abril e consagração das autonomias, apesar de referir que, relativamente a esta última esta questão, e passados 45 anos, o processo ainda não está terminado.

Numa intervenção realizada na Assembleia Legislativa da Madeira, que não sendo “politicamente correta”, porque “não se encaixa nos cânones, sob os quais a sociedade portuguesa teima em viver”, o deputado salientou que há 45 anos, no dia 25 de novembro, “o país se livrou de todos os autoritarismos”, o que permitiu que a democracia saísse “da incubadora”.

“Os saudosistas do PREC e os vencidos da altura dizem que não devemos celebrar datas que dividem. Porventura estarão cobertos de razão, mas o 25 de novembro não dividiu, o 25 de novembro foi o passo fundamental para que o país e a nação entrassem, definitivamente, no trilho da democracia.”

Para Carlos Rodrigues, o 25 de abril será sempre uma data maior na história deste país, mas, os “oportunismos, as intenções camufladas e a sede de poder falaram mais alto, já a partir da madrugada de 26 de abril”.

“Desde esse dia até 25 de novembro de 1975, o país entrou numa rota descendente, chegando ao limiar do caos e da guerra civil”, disse, salientando que “os militares não souberam sair a tempo e a extrema-esquerda tudo fez para dominar o aparelho do Estado”. “Estivemos um ano e sete meses a perder tempo e regredir”, acrescentou.

Carlos Rodrigues referiu que “a 25 de novembro, a extrema-esquerda tentou o golpe de misericórdia, a estocada final, a derradeira ação para tomar conta do país”. Contudo, “falharam redondamente porque os moderados que constituíam a vasta maioria do povo português não permitiram”.

O deputado recordou que essa maioria já se tinha pronunciado nas eleições para a Assembleia Constituinte: “Disseram que queriam um país moderado e não uma aventura utópica preconizada pela esquerda revolucionária. Por isso, votaram massivamente no PS e no PSD. A extrema-esquerda percebeu, chocada, que valia menos de 15% do país, o equivalente a 36 deputados em 250.”

“Finalmente, com o 25 de novembro foi possível começar a concretizar os sonhos de abril: democracia, liberdade e progresso”, acrescentou.

Neste contexto, para Carlos Rodrigues, “celebrar o 25 de novembro não é estar contra o 25 de abril, celebrar o 25 de novembro é celebrar a derrota da extrema-esquerda que quis substituir o país autoritário do Estado Novo, pelo país autoritário do PCP, da UDP e afins”.

Além de ser uma data importante para o país, o deputado considera que o 25 de novembro “também foi crucial para as Autonomias Regionais, uma vez que, serenados os ânimos e higienizado o clima podre que se vivia, a Assembleia Constituinte pôde terminar o seu trabalho, em ambiente democrático e livre, sem qualquer tipo de pressão ou condicionalismo”.

“Com o fim desta balbúrdia e reposta a normalidade, o país acaba por ter a sua constituição, ainda que com uma forte carga ideológica, imposta por apenas 15% dos deputados eleitos.

Para a Madeira e para os Açores, a fundamental e ansiada Autonomia Regional, foi consagrada.”

Carlos Rodrigues sublinhou que muito foi feito, desde então. “Do ponto de vista material, da qualidade de vida, do desenvolvimento e do progresso, evoluímos muito. As duas regiões mais atrasadas do país aproximaram-se dos padrões nacionais e europeus.

Falta, no entanto, alterar e clarificar diversos aspetos que levam a constantes violações e agressões dos direitos básicos dos madeirenses e açorianos por parte do poder central, seja ele executivo, legislativo ou judicial.”

Segundo o deputado, sobretudo ao nível das mentalidades, “o processo tem sido muito mais lento e o país não conseguiu, ainda, ultrapassar os traumas, quer do Estado Novo, quer daqueles 19 meses conhecidos como PREC”.

“Aqueles que, já na altura, eram largamente minoritários teimam em impor a sua vontade mesmo sem legitimidade democrática e mandato popular para o fazer”, afirmou.

De acordo com Carlos Rodrigues, “muitos há que sonham impor uma sociedade de pensamento único, uma sociedade que apenas aceita o pensamento político de esquerda. Uma sociedade em que aqueles que se situam no centro e na direita são considerados fascistas medonhos cujo destino final é o Campo Pequeno.

Uma sociedade que só é tolerante com os seus submissos seguidores e comissários obedientes.

Uma sociedade em que a propriedade privada não tem lugar a não ser que seja micro ou pequena.

Uma sociedade que nivela por baixo, que advoga a igualdade na pobreza e não a possibilidade de todos poderem elevar a sua prosperidade e nível de vida.

Uma sociedade em que os interesses de um partido se sobrepõem ao interesse comum, ao bem-estar de todos e à saúde coletiva.”

É por isso, sustentou que, “iluminados e inspirados pelo 25 de novembro, todos somos poucos para impedir este rumo ao pensamento único, esta ditadura do politicamente correto de alguns, que nos condena a uma mediocridade acéfala e acrítica”.

Na opinião do deputado, “celebrar o 25 de novembro é, pois, celebrar a coragem e determinação de uns poucos que não permitiram que minorias pouco representativas do povo português se apropriassem do 25 de abril, que tornassem a revolução dos cravos a sua relíquia particular”.

“Fez-se o 25 de abril, consolidámos a democracia com o 25 de novembro para termos uma nação mais justa e equilibrada e não uma nação igualitária na miséria”, realçou.

E também para que “não surjam, como temos assistido nestes recentes anos, líderes fracos, mas mediáticos, que não assumem as suas responsabilidades, que se refugiam em subalternos e na forma, lavando, cobardemente as suas mãos. Líderes que não cumprem as suas promessas e compromissos. Líderes cujo pensamento e visão não passam de banalidades e trivialidades, sem cultura, sem mundividência, sem arrojo e sem golpe de asa”.

Carlos Rodrigues adiantou que “abril e novembro foram passos determinados, mas tratou-se apenas do início da caminhada, por isso, neste dia, cabe-nos a todos honrar esse legado e não nos deixarmos levar pelas circunstâncias, pela conjuntura e por interesses particulares e mesquinhos”.

“Devemos isso, pelo menos isso, aos homens e mulheres que fizeram abril de 74 e novembro de 75.”