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Notícias
  Quinta, 5 Novembro 2020

Os vereadores do PSD eleitos à CMF abstiveram-se, hoje, na votação ao empréstimo a contrair pelo Executivo, reiterando que a Câmara sempre teve verbas disponíveis, que se recusa a informar onde é que as mesmas são aplicadas e que, no mínimo, “é curiosa” a contratação de um empréstimo depois de 9 meses de grandes dificuldades que ficará disponível em ano eleitoral

“Somos a favor de todas as medidas e de todos os recursos que possam ser aplicados, pelo Executivo Municipal, no apoio às famílias e empresas do concelho – conforme, aliás, temos vindo a defender, embora vendo as nossas propostas recorrentemente chumbadas – mas não podemos pactuar com aquilo que consideramos ser, desde a primeira hora, uma opção pouco justificada, nada transparente e de evidente oportunismo político”, afirmou, hoje, o vereador Jorge Vale, no fim da reunião camarária onde o PSD se absteve na votação do empréstimo de 5 milhões a contrair pela autarquia, deixando a decisão final para a Assembleia Municipal onde o mesmo será analisado.

Uma abstenção que o Social-democrata justifica a vários níveis, desde logo porque o que falta à autarquia não é orçamento nem verbas para investir no apoio às famílias e empresas afetadas pela pandemia, mas, sim, vontade política e discernimento quanto às reais prioridades que importam colmatar neste momento.

“A Câmara não precisa de um financiamento para apoiar as famílias e as empresas e são os próprios números oficiais da autarquia que o dizem, já que, além deste Executivo ter lucrado, nos últimos anos e à nossa custa, mais de 20 milhões de euros, as últimas Contas disponíveis mostram que a mesma encerrou o ano passado com 16 milhões de euros disponíveis e que tem, ao contrário do que afirma, um Orçamento disponível de 118 milhões de euros para gastar este ano”, explica Jorge Vale, vincando que há uma clara inversão de prioridades quanto ao investimento que tem sido feito.

“Foi este Executivo que, em vez de apoiar os lojistas do Mercado via isenção de rendas, preferiu gastar o dinheiro em fogo de artifício, assim como foi este Executivo que recusou criar um Fundo de Apoio aos Comerciantes mas, por sua vez, quer investir numa Polícia Municipal cujos custos, só no primeiro ano, ascendem a mais de 2 milhões”, exemplificou, sublinhando que estes são apenas dois casos de despesas que, não sendo prioritárias, são assumidas, “à semelhança dos 4 milhões de euros que, segundo dados oficiais da autarquia, foram gastos em publicidade, prémios, condecorações e estudos, que podiam ter sido aplicados a favor da cidade”.

Paralelamente, prossegue o vereador, “não podemos votar a favor de um empréstimo quando o Presidente da Autarquia se recusa a informar e a clarificar onde e como é que a autarquia concede os apoios relativos à pandemia”, lembrando que os vereadores do PSD apresentaram, em reunião de Câmara, uma proposta para a criação de uma plataforma pública e transparente onde pudesse ser demonstrado, de forma rigorosa, quem é que beneficia dos apoios que a Câmara diz aplicar, “plataforma essa que o Presidente recusou, como se tivesse algo a esconder”.

Por fim, sublinha Jorge Vale, “temos a questão da data deste financiamento”. O mesmo é dizer “que fica difícil de entender como é que só agora, em novembro, é que o Presidente do Executivo se lembrou se contratar um empréstimo – ignorando as dificuldades que, nestes 9 meses, desde março, as famílias e as empresas do concelho enfrentaram – empréstimo esse que só terá efeitos práticos no próximo ano, ou seja, em ano de eleições, o que nos parece apenas e só aproveitamento e oportunismo político”, remata.