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Notícias
  Quarta, 25 Setembro 2019

Foram necessários seis meses e uma intimação judicial para o executivo da Câmara Municipal do Funchal (CMF) mostrar, finalmente, uma parte das contas da Frente Mar. Mesmo assim, apesar da intervenção dos tribunais, apesar da insistência de todos os partidos da oposição, os documentos entregues hoje à Assembleia Municipal, ficam muito aquém de explicar como é que uma empresa municipal, que antes dava lucro, passou a ter resultados francamente negativos.

A situação da empresa municipal, mergulhada em problemas financeiros que já motivaram uma penhora às contas por parte da Autoridade Tributária, atrasos no pagamento de salários aos funcionários, e financiamento encapotado da Câmara à Frente Mar, através da aquisição de 80 mil ingressos dos complexos balneares, esteve hoje, mais uma vez, na ordem do dia.

Por isso, foi hoje aprovado um voto de protesto, iniciativa do PSD, contra a não entrega da documentação solicitada pelos Vereadores da CMF sobre a FrenteMar Funchal E.M. “Trata-se de um voto de protesto não só pela recusa da Câmara em prestar informação relevante sobre a Frente Mar Funchal, mas também pelo bloqueio que a Autarquia impôs à Auditoria aprovada nesta Assembleia”, explicou João Paulo Marques, deputado municipal do PSD.

O voto de protesto, aprovado com os votos favoráveis dos Social-democratas, do CDS, da CDU, do PTP, do JPP e do deputado Independente (a Coligação votou contra, e BE e Nós Cidadãos abstiveram-se), serviu para o PSD insistir na necessidade de avançar com a auditoria às contas da empresa municipal, que já foi aprovada em Assembleia Municipal e tem sido constantemente bloqueada pelo executivo camarário.

É preciso, disse João Paulo Marques, afastar, de uma vez por todas, o clima de suspeição e a nebulosa, que se abatem sobre a Frente Mar. “Se não tem nada a esconder, faça-o [a auditoria]. Nós estamos aqui para acompanhar, estamos aqui para ajudar, não estamos aqui para complicar a vida a ninguém”, desafio o deputado social-democrata, falando diretamente para o presidente da Autarquia.

Durante o debate, João Paulo Marques recuperou as palavras do edil do Funchal. “Nas palavras do senhor presidente, a compra de ingressos serviu para pagar salários dos funcionários da Frente Mar”, tendo ficado clara “a verdadeira natureza da aquisição de 80 mil entradas nos complexos balneares da Frente Mar”, que em nada tem a ver com as justificações encontradas na documentação disponibilizada hoje pela Autarquia.

“No meio deste cenário de óbvia falência técnica, lá aparece a Câmara a adquirir 80 mil ingressos para os complexos balneares que são geridos pela Frente Mar Funchal. Tudo isto no valor de 290 mil euros e esta mãozinha da Câmara, uma espécie de bóia de salvação que foi atirada à Frente Mar e que tem escrito ‘financiamento encapotado’ por todo o lado”, apontou.

No final, o deputado do PSD endureceu o discurso e, apontando para o executivo socialista, afirmou: “Apesar da tentativa do presidente da Câmara bloquear a auditoria e admitir a possibilidade de encerramento da Frente Mar para esconder as contas, o PSD está do lado dos trabalhadores e não permitiremos que isso aconteça. A comissão vai continuar e a auditoria vai para a frente.”