• Capa_abril_Site-100.jpg
Notícias
  Sexta, 27 Julho 2018

O líder nacional do PSD, Rui Rio considerou uma “injustiça” o “tratamento desigual” da República em relação à Madeira, sublinhando que há matérias que são retardadas por motivações políticas, destacando a taxa de juro, o subsídio de mobilidade, a TAP e o novo hospital. As declarações de Rui Rio foram proferidas após uma reunião mantida na Quinta Vigia com Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional.

“A taxa de juro cobrada à Região Autónoma da Madeira é substancialmente superior àquela que o Estado Central paga pelo mesmo empréstimo”, constatou Rui Rio, acusando o Estado de se “comportar como um banco” que tem ganhos financeiros com os madeirenses.

“Sobrecarrega os cidadãos portugueses da Madeira mais do que aquilo que sobrecarrega aos cidadãos portugueses no Continente”, por isso defende que a “fatura da Região” seja igual à do Continente.

Miguel Albuquerque reforçou a opinião de Rio, lembrando que o atual Primeiro-Ministro quando veio à Madeira em 2015 em campanha eleitoral disse publicamente que a taxa de juros cobrada à Madeira em 1.500 milhões de euros era uma vergonha e tinha de ser alterada por uma razão de equidade e de justiça. “Até 2040 nós vamos pagar 542 milhões de euros deste juro. Se a taxa for adequada nós vamos pagar apenas 402 milhões de euros de juros, ou seja, menos 140,5 milhões que pode ser aplicada em áreas sociais como a Saúde e a Educação”, sublinhou, reiterando que “o Estado está a ganhar dinheiro, quando essa não é a função do Estado, é a função de um banco comercial.”

No que respeita ao subsídio de mobilidade Rio garante que é “uma questão muito simples de resolver” já que a despesa pública não aumenta “em rigorosamente nada”. A questão, reiterou, tem a ver com uma questão de tesouraria, não sendo justo que sejam as famílias a adiantar o dinheiro por 90 dias até receberem o subsídio.

Por isso reitera que, se a esquerda se acha sempre “dona das questões sociais” – algo com que Rui Rio não concorda – e “se o subsídio tem uma componente social, então [o Governo da República] está a falhar”.

Em relação ao cancelamento dos voos da TAP o líder do PSD nacional disse que, não sendo esta uma situação exclusiva da Região, tem um impacto particularmente grave na Madeira por não haver alternativas. Por isso entende que se o Estado tem 50% de capital naquela companhia aérea, o serviço público tem de estar assegurado.

Mais “chocante” é o preço das tarifas. “Não faz sentido que os voos para o Funchal e para o Porto Santo, em termos relativos, sejam muitíssimo mais caros que todos os outros voos que a TAP faz para o resto do Mundo.”

Em relação ao novo hospital é, nas palavras do presidente do PSD, “uma reivindicação justa em termos de qualidade e capacidade de resposta aos problemas” não só dos madeirenses, mas também dos turistas, uma vez que o turismo é a principal atividade económica da Madeira. “É um factor competitivo relativamente a outros destinos turísticos.”

Por isso entende que há uma estratégia em retardar algumas questões pendentes por motivos políticos. “Há matérias, que se pode ler como um retardar para não permitir algo de positivo à Região Autónoma no momento em que ela é governada por um partido, que não aquele partido que o senhor Primeiro-ministro quer que ganhe as próximas eleições legislativas regionais como é evidente”, concluiu Rui Rio.