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Sérgio Marques considera que os “relatos e as notícias que nos chegam da Venezuela são alarmantes” e “dão-nos conta de uma população empobrecida e esfomeada que não olha a meios para arranjar comida”.

Numa intervenção antes do período da ordem do dia, na Assembleia Legislativa da Madeira, lamentou a situação degradante que se vive naquele país, onde se “matam bovinos à pedrada” e se “assaltam-se quintas em busca de animais vivos”.

Além da escassez e desespero por alimento, “a inflação aproxima-se da velocidade da luz, a insegurança é aterradora, o produto interno bruto afunda-se, o desemprego é o maior de sempre, a rede pública de cuidados de saúde primários e hospitalares é completamente disfuncional, os alimentos e os medicamentos quase que desapareceram dos supermercados e farmácias e os que existem têm um preço incomportável face ao inexistente poder de compra da esmagadora maioria da população”.
Tudo isto muito longe da Venezuela que outrora era um “paraíso que atraia milhões de pessoas”, dezenas de milhares delas madeirenses. “É hoje um verdadeiro inferno”, que é sentido na pela nossa comunidade.

Sérgio Marques sublinha que “viver e exercer uma atividade económica na Venezuela são atos de verdadeiro heroísmo”, defendendo ser “imperioso e urgente inverter este colapsar” daquele país.

“Todas as esperanças estão depositadas num processo de diálogo entre a oposição e governo que está em curso na República dominicana e que tarda em apresentar resultados”, disse, acrescentando que “é crucial realizar o quanto antes uma eleição presidencial livre, limpa e absolutamente aberta a observadores internacionais”, como forma de “evitar um cenário de implosão e dar lugar a um penoso caminho de recuperação social, económica e institucional”.

Face a esta realidade, o deputado diz não ser de admirar que “venha acontecendo um intenso fenómeno migratório de saída da Venezuela”, estimando-se que cerca de dois milhões de Venezuelanos possam ter deixado o país.

“À Madeira está a chegar apenas uma pequeníssima minoria daqueles que saem”, afirmou, salientando que “os que chegam são madeirenses ou seus descendentes” e “são tão madeirenses quanto aqueles que residem na Madeira e Porto Santo. São parte integrante da grande comunidade madeirense espalhada pelo mundo.”

Aliás, referiu, “a Madeira só faz sentido se entendida como uma grande comunidade global. A que pertencem não só os que residem no rochedo atlântico, mas também todos os que partiram e seus descendentes. Uma comunidade com mais de um milhão de pessoas.”

“A Madeira assim visionada é maior, mais global, mais influente, mais central e menos periférica e tem ainda maior valor geoestratégico. Os nossos conterrâneos espalhados pelo mundo aportam um valor inestimável à Madeira.”

E neste valor, adiantou, nem sequer inclui as dezenas de milhões de euros que os nossos conterrâneos canalizaram para a Madeira nas últimas décadas, em investimento e remessas para os que aqui ficaram, seus familiares.

Dentro desta lógica, Sérgio Marques sublinha que “temos assim a obrigação indeclinável de acolher de braços abertos todos os que chegam da Venezuela e propiciar-lhes as melhores condições de integração em termos de educação, saúde, emprego, formação profissional, habitação e segurança social”.

“É imprescindível um tratamento não discriminatório e que tenha em conta a situação de emergência em que muitos chegam. A chegada destes conterrâneos, acho que se pode já concluir, está a ser positiva para a Madeira. Os recém-chegados estão a constituir-se como um fator de rejuvenescimento, de empreendedorismo, de trabalho e de diversidade que só nos enriquece. Longe de serem um fardo ou uma ameaça, são uma oportunidade que não podemos deixar de aproveitar.”

Ainda assim, continua, “o desafio da integração é enorme, até porque é provável que o fluxo de regresso se mantenha e intensifique” e “todos, sociedade civil, governo regional e governo central, devem contribuir para que seja superado com sucesso”.

“É um desafio que a todos convoca e responsabiliza”, afirmou, ressalvando que, “salvo pequenas manifestações sem significado”, sente que “a resposta da sociedade civil tem sido solidária”.

No que diz respeito à relação institucional entre governos, salienta que tem sido estabelecida “uma indispensável e exemplar relação de parceria e cooperação”, referindo que “qualquer guerrilha política em matéria tão sensível para a vida de milhares de pessoas seria indesculpável”.

“Não posso deixar de qualificar como positivo um primeiro esforço de concretização da solidariedade financeira do Estado. Refiro-me à transferência para a Região por parte do Estado de um milhão de euros para comparticipar custos com o acolhimento e a integração. Também no plano financeiro o Estado tem de assumir as suas responsabilidades. Quem chega à Madeira são em primeiro lugar cidadãos portugueses e seus descendentes. E só depois é relevante a sua condição de madeirenses.”
“Saibamos todos estar à altura da situação de enorme gravidade que tão duramente atinge os nossos conterrâneos na Venezuela”, concluiu.