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A implantação do Partido Social Democrata na Madeira, outrora Partido Popular Democrático, foi um pouco diferente daquilo que aconteceu no restante território nacional. Este Partido, fundado a 6 de maio de 1974 por Francisco Sá Carneiro, Sá Borges e Francisco Pinto Balsemão, olhou, aquando da sua implementação, às movimentações que sucederam na Madeira após o 25 de abril de 1974.

Nessa altura, houve a formação de diferentes movimentos políticos. Uns mais ligados à independência da Madeira, outros que procuravam um consenso político entre a Região e o Continente português. Neste sentido, houve dois movimentos que se destacaram: a Frente Centrista, que era composta por Alberto João Jardim, Luciano Castanheira, António Aragão e Emanuel Rodrigues, e o Movimento Democrático pela Madeira, que tinha como figuras de relevo Fernando Rebelo, que vem mais tarde a ser Governador Civil, e António Loja, Governador da Junta Geral.

A formação do Partido é negociada entre Emanuel Rodrigues, em representação da Junta Geral, e Sá Borges, fundador do Partido a nível nacional, uma vez que tinham sido colegas de faculdade no curso de Direito. Os representantes da Frente Centrista da Madeira aceitam implementar e constituir o PPD/PSD, mas sob uma condição: O futuro PSD-Madeira deveria ter estatutos autónomos da organização a nível nacional. A antiga Frente Centrista da Madeira decidiu que, pelo peso na sociedade de então, o líder do PSD-Madeira deveria ser Alberto João Jardim, tendo como elementos mais próximos Luciano Castanheira, António Aragão e Emanuel Rodrigues.

Com toda a azáfama que se vivia na Madeira, e em particular no Funchal, o Partido começou a recrutar quadros em toda a ilha e a implementar-se em todos os concelhos. A coordenação do alargamento do Partido a todos os concelhos deveu-se, em grande medida, a António Aragão de Freitas, que coordenava as estruturas concelhias, algo que o Partido abandonou no inicio da década de 90. Nessa altura, foram recrutados nomes como Gabriel Drummond, em São Vicente, antigo membro da ANP de Marcelo Caetano, e Egídio Pita, na Ponta de Sol. Entretanto, dada a dinâmica instalada na Madeira no pós 25 de abril, chegava a hora de fazer as listas para a Assembleia Constituinte de 1975. O PSD, ao contrário dos outros Partidos, aposta em figuras desconhecidas para vencer as eleições. Apesar de ter sido uma estratégia criticada, o PSD teve a maior vitória de sempre em eleições nacionais, elegendo cinco dos seis deputados no antigo círculo da Madeira. Os primeiros deputados a serem eleitos para a Assembleia da República pelo PPD-Madeira foram: António Castro Varela; Emanuel Rodrigues; José António Camacho; José Carlos Rodrigues e Maria Élia Brito Câmara.

Ainda em 1975, temos dois acontecimentos que marcam a História da formação do PPD na Madeira: a18 de maio de 1975, o PPD/PSD-Madeira faz a sua primeira festa popular no Chão dos Louros. Já em Londres e Paris, Alberto João Jardim estabelece contactos políticos com vista à luta contra a implementação do comunismo em Portugal. Em 1976, o rumo político do PPD/PSD muda. Afasta-se daqueles que defendiam a independência da Madeira e recusa entrar na junta governativa. Esta situação levou a diferendos entre Magalhães Mota e Alberto João Jardim. Mais tarde, devido à formação das listas para a Assembleia da República, há uma cisão no PSD-Madeira. António Aragão, um dos fundadores do Partido, afasta-se por não concordar com o nome de António Loja para a Assembleia da República.

Contudo, 1976 é um ano importante para a política na Madeira. É eleita a primeira Assembleia Legislativa Regional e nomeado o primeiro Governo, respeitando os resultados eleitorais. O PPD/PSD Madeira conseguiu 29 dos 41 deputados em eleição. Emanuel Rodrigues foi o escolhido para presidir ao primeiro Parlamento da Madeira. Quando tudo fazia querer que Alberto João Jardim iria ser o primeiro presidente do Governo Regional, o líder do PPD/PSD Madeira indica o nome do Eng. António Ornelas Camacho para presidir ao primeiro executivo. Alberto João Jardim fica como líder da bancada parlamentar do PPD/PSD.

A tomada de posse do primeiro Parlamento regional verificou-se a 19 de julho de 1976 e a tomada de posse do primeiro Governo Regional a 1 de outubro de 1976. Das primeiras medidas do poder legislativo regional denota-se a extinção do regime da colonia, promessa eleitoral do PPD/PSD, com os votos favoráveis do PSD e do PCP, abstenção do PS e votos contra do CDS.

Com os desenvolvimentos dos acontecimentos políticos em Portugal e na Madeira, realizaram-se, em dezembro de 1976, as eleições autárquicas. O PPD/PSD demonstrou, mais uma vez, ser o Partido da proximidade e do meio rural tendo vencido 10 das 11 câmaras municipais em disputa. Perdeu apenas no Porto Santo.

Em 1977, verifica-se o primeiro congresso do PSD/Madeira. Um congresso pouco usual e, até hoje, irrepetível. Na altura, estabeleceu-se que o líder do Partido era eleito em congresso e não em eleição direta. Nesse sentido, foram apresentadas duas listas ao congresso em que o cabeça de lista de ambas era Alberto João Jardim. Contudo, numa lista este fazia-se acompanhar de Emanuel Rodrigues e Magalhães Mota e na outra de companheiros como Jaime Ramos e António Gil.

Entrava o ano de 1978 e novas mudanças se avizinham na política insular. Uma vez já atribuídos poderes ao Governo Regional, Alberto João Jardim quis tornar-se Presidente do Governo Regional da Madeira. Esta situação não foi pacífica dentro do PPD/PSD Madeira e levou ao desentendimento entre Alberto João Jardim e António Loja.

Com Jardim a liderar o Partido e o Governo, a 23 de julho de 1978 dá-se a segunda festa popular do PPD/PSD no Paul da Serra. Com a presença do líder nacional, Francisco Sá Carneiro, os discursos foram transmitidos em direto na RTP- Madeira. Jardim lançou farpas ao Governo da República, uma coligação PS-CDS, que levou a multidão ao rubro. Muitos consideram que terá sido esta festa o principal motor dos arraiais populares organizados pelo Partido nos anos que se seguiram.

Assim, entramos em 1980, ano de eleições regionais. Eleições essas que o Partido Social Democrata venceu, aumentando o número de deputados e o número de votos. Passou a ter 35 deputados em 44 possíveis. Foi neste ano que se estreou nas lides políticas regionais o primeiro líder da JSD, Miguel de Sousa. Após as eleições de 1980, deu-se a maior mudança de equipa num Governo Regional chefiado por Alberto João Jardim. Do anterior Governo apenas transitou ele e Eduardo Brazão de Castro que ainda assim teve outras funções.

A relação entre o Partido a nível regional e a nível nacional nem sempre foi pacífica. Pela Crise que se sentiu no Governo de Coligação, liderado por Francisco Pinto Balsemão, o PSD-Madeira cortou relações com o PSD Nacional.

Em 1985 o PSD- Madeira teve um importante peso na decisão do futuro do Partido. Alberto João Jardim, Vice-Presidente da mesa do Congresso do PSD Nacional, conseguiu fazer eleger Cavaco Silva como presidente do Partido, recorrendo a militantes da Madeira.

A década de 80 propiciou o aparecimento de vários quadros políticos no Partido, provenientes da sua organização juvenil. Após Miguel de Sousa, em 1980, apareceram, em 1984, João Cunha e Silva e Sérgio Marques, à altura Presidente e Vice- Presidente da estrutura, e em 1988 Miguel Albuquerque. Todos foram eleitos pelo círculo eleitoral do Funchal.

Na década de 90 há alguns acontecimentos de relevo. O Partido passa a fixar a sua festa popular no Chão da Lagoa com carácter anual, no último fim-de-semana do mês de julho.

Nas autárquicas de 1993, dado o contexto difícil em que a política decorria na Região, o PSD foi buscar um Histórico para vencer a Câmara Municipal do Funchal. Tratou-se de Virgílio Pereira, Vice-Presidente do PSD, antigo Presidente da Câmara Municipal do Funchal entre 1974 e 1984. Em segundo lugar na lista ia Miguel Albuquerque, ex-líder da JSD e Secretário-Geral Adjunto do PSD-Madeira. Apesar de algo disputadas, o PSD venceu essas eleições e Virgílio voltaria a liderar a maior autarquia da Madeira. Contudo, Virgílio Pereira ficou um ano no exercício do cargo tendo-se depois retirado das lides politicas. Miguel Albuquerque, à altura com 33 anos, passou a liderar os destinos da Câmara Municipal do Funchal.

Na restante década de 90, fica para a História o celébre congresso de 1995 em que as bases e alguns dirigentes do Partido exigem a Alberto João Jardim uma forma diferente de estar e fazer política, dados os avanços do PS, na altura liderado por Mota Torres. Alberto João Jardim, acabou por não ceder, não tendo consequência de maior, dado que o PSD acabou por ganhar as eleições regionais de 1996. Em 1997, o PSD tem 10 câmara municipais e Miguel Albuquerque tem a sua primeira maioria absoluta como Presidente da Câmara do Funchal, ascendendo no congresso desse ano a Vice-Presidente do PSD. Em 1998, entra para a liderança da JSD-Madeira Jaime Filipe Ramos, que até hoje foi o Presidente que fez mais mandatos à frente da estrutura. Jaime Filipe liderou a JSD de 1998 a 2006.

Na primeira década do século XXI, tudo corria sobre rodas. Nas autárquicas de 2001, o Partido venceu as 11 Câmaras Municipais. Formavam-se quadros para a sociedade madeirense, através de uma JSD forte, mobilizadora e participativa. O Partido voltará a ter maioria absoluta em 2000 e 2004. Esta década fica também marcada por um grande projeto idealizado e concretizado pela JSD, denominado “Autonomia XXI”. Os quadros da JSD organizaram um projeto político recolhendo contributos de três gerações de madeirenses que viveram e cresceram na Autonomia Política da Região. Este foi o último grande projeto da Juventude Social Democrata, em termos políticos. Muitos dos quadros que fizeram parte deste projeto são os principais quadros de referência do Partido. São exemplo disso Jaime Filipe Ramos, Carlos Rodrigues, Bruno Macedo, Rafaela Fernandes, Nivalda Gonçalves, Vânia Jesus e muitos outros que estão ou estiveram de forma ativa na vida política da Região.

Em 2007, pela primeira vez, um militante e líder do PSD-Madeira demite-se da função de Presidente do Governo Regional. São convocadas eleições e o PSD obtém a maior vitória de sempre, tendo obtido 33 de 47 deputados e mais de 90 mil votos.

Contudo, e após 33 anos de liderança, no início da década de 10 do sec. XXI, devido às intempéries e catástrofes naturais que assolaram a Madeira, começou-se, internamente, a questionar as tomadas de posição e as opções da liderança de Alberto João Jardim. O primeiro sinal foi a formação de duas listas, encabeçadas por dois companheiros diferentes, na disputa da liderança da JSD. Foi a primeira vez que um militante do PSD-Madeira foi eleito para uma estrutura regional do Partido com disputa interna.

Mais tarde, em abril de 2011, Miguel Albuquerque, à altura Presidente do Conselho de Jurisdição do PSD-Madeira, pediu para não ser reconduzido no cargo uma vez que considerava não estarem reunidas as condições para um debate interno plural. Esse foi, até hoje, o último congresso regional do PSD-Madeira em que só se sufragou uma lista. Em outubro desse ano, Alberto João Jardim conseguiu a 10ª maioria absoluta, tendo o PSD elegido 25 em 47 deputados.

Em março de 2012, Miguel Albuquerque anunciou a sua candidatura à liderança do PSD-Madeira no congresso regional seguinte do Partido que se deveria realizar antes das eleições autárquicas de 2013. Na altura, Manuel António Correia anunciou também a sua intenção de se candidatar à liderança do Partido. No entanto, dada a dinâmica apresentada e os apoios internos que Miguel Albuquerque conseguiu reunir, Manuel António afastou-se da corrida dando espaço a uma recandidatura interna de Alberto João Jardim. A 2 de novembro de 2012 houve eleições internas e Alberto João Jardim venceu Miguel Albuquerque por menos de 100 votos. O resultado foi histórico. Na primeira vez em que Jardim foi a eleições no PSD-Madeira, perdeu 22 freguesias e quatro concelhos (Funchal; Santa Cruz; São Vicente e Calheta) para o seu opositor, Miguel Albuquerque, à altura Presidente da Câmara Municipal do Funchal. No congresso realizado a 24 e 25 de novembro de 2012 no CEMA, ficou estabelecido que as eleições internas se iriam realizar a 19 de dezembro de 2014 e o Congresso Regional a 10 de janeiro de 2015.

Em 2013, fruto de uma imagem descredibilizada, de um duro plano de ajustamento a nível nacional que afetou, em grande medida, a Madeira e a questões internas mal resolvidas por parte dos vencedores das internas de 2012, o PSD-Madeira perde sete câmaras municipais na Madeira. Apesar de ter sido o Partido mais votado, com 45%, o PSD manteve apenas as Câmaras Municipais da Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Calheta e Ponta do Sol. No final deste ano, já olhando para as internas do ano seguinte, Sérgio Marques antigo Eurodeputado anunciou a candidatura a liderança do PSD-Madeira juntando-se a Miguel Albuquerque e a Manuel António Correia.

Durante o ano de 2014, a atividade interna do Partido cingiu-se, com exceção das eleições europeias que o PSD-Madeira venceu, aos contactos para preparar as eleições internas do final desse ano. Até ao final da corrida interna apareceram mais três candidatos: João Cunha e Silva, Vice- Presidente do Governo Regional e antigo líder da JSD, Miguel de Sousa, Primeiro Presidente da JSD e Vice-Presidente da ALRAM, e Jaime Ramos, Secretário-Geral do PSD-Madeira e líder da bancada Parlamentar.

Apesar de um ambiente conturbado, próprio dos atos eleitorais, as eleições decorreram de forma calma e ordeira e a 19 de dezembro de 2014. O vencedor foi Miguel Albuquerque com 47,4% dos votos, o que correspondeu à vitória em 10 dos 11 concelhos e a 42 vitórias num total de 54 freguesias. Foram quase 3000 militantes a votar em Albuquerque. Seguiram-se Manuel António Correia com 29,2%, João Cunha e Silva com 15, 52%, Sérgio Marques com 5,85%, Miguel de Sousa com 2,41% e Jaime Ramos com 0,8%. Contudo, como nenhum dos candidatos conseguiu chegar a maioria absoluta, os dois mais votados tiveram novo ato eleitoral a 29 de dezembro.

Nessa data Miguel Albuquerque chega à liderança do Partido, tendo obtido 64,04% das preferências dos militantes contra as 36,96 de Manuel António Correia. Albuquerque venceu em 10 dos 11 concelhos, tendo conseguido 46 das 54 freguesias. Miguel Albuquerque teve, na segunda volta, 3950 votos.

 

O congresso que consagrou a vitória de Miguel Albuquerque, a 10 de janeiro de 2015, realizou-se de forma serena, em que os apoiantes de todos os candidatos puderam, livremente, intervir. Nesse congresso, foram ainda aprovadas alterações estatutárias com o intuito de reintroduzir as estruturas concelhias e a eleição do Conselho Regional do Partido por método de Hondt.

Alberto João Jardim pediu a exoneração do cargo de Presidente do Governo a 12 de janeiro de 2015, tendo o Presidente da República, Cavaco Silva, marcado eleições para 29 de março de 2015.

A 29 de março de 2015, o PSD conquistou a sua 11º maioria absoluta, tendo obtido 44,3% das intenções de voto dos madeirenses. Miguel Albuquerque conseguiu 24 dos 47 mandatos em eleição.

A 20 de abril de 2015, Miguel Filipe Machado de Albuquerque tomou posse como terceiro Presidente do Governo Regional da Madeira, sendo o segundo líder do PSD a liderar o órgão de poder executivo na Madeira.

Para o futuro, as principais metas do PSD são a formação de quadros, proporcionando uma Renovação de quadros do Partido, uma política de proximidade e uma aposta continuada na defesa dos interesses dos madeirenses por mais Autonomia Política, Económica e Fiscal.