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Notícias
  Sábado, 10 Novembro 2018

O Professor David Justino defendeu hoje, numa conferência promovida pelo Gabinete de Estudos do PSD, que a educação de infância, ou seja, virada para as crianças dos 6 meses aos seis anos de idade, seja eleita “como uma prioridade e, acima de tudo, como um desígnio nacional”. Uma proposta que já foi feita ao Conselho de Estratégia Nacional.

Convidado ao falar sobre ‘Educação - Projeto Sustentável para uma Sociedade Autónoma’, o ex-ministro de Educação salientou que, face ao que está a acontecer ao nível da natalidade e das dificuldades crescentes em muitas zonas do país, de os pais colocarem as crianças ou em creches em pré-escolar, uma vez que há concelhos onde a taxa de cobertura destes estabelecimentos é abaixo dos 50%, “não nos podemos andar a queixar da natalidade e depois não fazer nada pela infância”, não esquecendo também a maternidade.

O Professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas considera mesmo que “esta coisa de políticas de natalidade não existe”. O que existe, continuou, “são políticas de maternidade, favorecendo precisamente a condição da mulher e a condição da família – porque não é só a mulher, é também o pai – e favorecendo a política acolhedora e amiga das crianças”

David Justino salienta que este é um “ponto fulcral”, mas em relação ao qual “o Governo não é suficientemente sensível”.

O ex-ministro abordou ainda a perspetiva dos professores e a forma como o seu papel pode ser dignificado e valorizado, salientando que, “se nós quisermos melhorar a Educação, só temos duas maneiras de o fazer: Ou temos melhores alunos, o que não está dependente necessariamente de nós, ou temos melhores professores”.

“Se nós conseguirmos concretizar uma política de infância temos melhores condições para que quando os miúdos chegam ao 1ª ciclo tenham sucesso. Se calhar vamos ter melhores alunos, mas, se tivermos melhores alunos e não tivermos melhores professores, as coisas falham, portanto, vamos ter depois de investir no segundo vetor que é precisamente o dos professores, na sua qualificação e, acima de tudo, na sua dignificação.”

David Justino sublinhou que os professores são o pilar da escola, referindo que o “achincalhamento a que a classe dos professores tem sido sujeita, nomeadamente no Continente, é insuportável”.

Nesse sentido, disse ser “perfeitamente compreensível o nível de desmotivação e de algum desgaste”, o que provoca até “problemas graves ao nível do absentismo e ao nível do envelhecimento que se está a verificar”.

O Professor afirma que esta é uma “situação extremamente complexa” que exige uma solução que não é barata, mas que tem de ser alvo de “uma política que possa ter continuidade nos próximos anos”. Isto porque, nos próximos 10 a 15 anos, “praticamente 1/3 dos professores vão ser reformados”.

Assim, segundo David Justino, “esta é uma oportunidade única para podermos rejuvenescer o quadro e isso tem de ser feito também com critérios, ou seja, não basta continuarmos a fazer autênticas enxurradas de entradas”. “A escola pública, para ser uma escola de referência, tem que ter os melhores professores e os melhores professores selecionam-se, escolhem-se e formam-se.”

Questionado sobre a Educação na Madeira, o Professor referiu que “há aspetos da organização do sistema regional que têm especificidades muito interessantes”. “A ideia que eu vou lançar é saber como é que nós podemos reafirmar essa identidade regional mantendo o quadro curricular nacional, ou seja, eu não preciso andar a dar muitos exemplos de coisas que se passam no Continente, aquilo que eu tenho e fazer é dar a mesma matéria com exemplos de coisas que se passam aqui na Madeira e que estão disponíveis.

Para David Justino, neste contexto, “este problema da gestão flexível do currículo e desenvolvimento curricular e etc., é algo que pode ser melhor aproveitado, numa fase seguinte para, precisamente para que esta construção de uma identidade da Madeira possa ser facilitada”.