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Notícias
  Terça, 28 Novembro 2017

As questões da mobilidade não se esgotam na facilidade ou não com que se encontra uma vaga para estacionar. Paula Teles, uma das figuras maiores da mobilidade em Portugal e na Europa, defendeu ontem à noite (segunda-feira), no Funchal a necessidade de se “pensar” a um plano mais elevado, quando se está a desenhar a malha urbana.

“Aquilo que é mais relevante no caso da Madeira –  independentemente de ser à escala municipal ou à escala regional –, é haver cada vez mais um planeamento da mobilidade que permita integrar todos os sistemas de transporte nos diferentes moldes”, explicou a especialista, à margem de uma tertúlia sobre o tema promovida pela secção de Engenharia dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD) da Madeira, que decorreu na sede do PSD/M.

Transportes públicos e tráfego automóvel. Estacionamentos e zonas para carga e descarga. Tudo isto, repetiu Paula Teles, deve ser integrado num plano global, porque mais do que a falta de estacionamentos, em Portugal a grande questão é o aumento do tráfego automóvel.

 “Andamos cada vez menos a pé e mais de carro, o que são valores completamente contraditórios ao que se verifica na Europa, onde a bicicleta e os transportes públicos são cada vez mais utilizados”, explicou presidente a Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade, lembrando que dois terços dos gases poluentes que emitimos são provenientes dos transportes.

Mas, sublinhou, não se trata apenas de uma questão ambiental. Como o aumento da esperança de vida, a mobilidade é também uma questão social. Na Madeira, por exemplo, o turismo sénior obriga a pensar o território de outra forma. “Uma mobilidade inclusiva, não só para seniores mas também para pessoas portadoras de deficiência”, observou, dizendo que existe todo um trabalho a ser feito no País que não se compadece com medidas avulsas, tão ao estilo dos portugueses.“Este é um trabalho que deve ser feito a uma escala superior”, concluiu.

Jorge Afonso, presidente da secção de Engenharia dos TSD/Madeira, explicou que o objetivo da iniciativa que trouxe Paula Teles à Madeira, foi o de “sensibilizar” a sociedade civil e a classe política para as visões “modernas” que estão a ser debatidas um pouco por toda a Europa, sobre o verdadeiro conceito de ‘smart city’.